Área de restinga mais pesquisada do Brasil está ameaçada

Os 840 hectares em Maricá estão na mira de grupo empresarial que quer construção de empreendimento imobiliário

Por O Dia

Rio - Uma área de 840 hectares em Maricá vem sendo alvo de muita polêmica envolvendo o poder público, a iniciativa privada, ambientalistas e uma colônia de pescadores que lá existe desde 1797. Trata-se da área de restinga mais pesquisada do Brasil, com quase 700 trabalhos científicos. Um verdadeiro tesouro transformado em área de proteção ambiental desde 1984, pelo então governador Leonel Brizola, e que desde 2007 está na mira de um grupo de empresários, que pretende construir ali um empreendimento imobiliário do tamanho do bairro do Méier ou de Santa Rosa (Niterói), com condomínios de apartamentos, resort, áreas para a prática de esportes e outras.

Acontece que na área vivem 150 famílias de pescadores que tiram de lá o seu sustento há mais de 200 anos. “De 2007 para cá começaram a mexer com a gente. Estão querendo derrubar nosas casas, acabar com a nossa cultura. Nossa relação com a empresa é péssima”, revela Vilson Corrêa, presidente da associação dos pescadores da comunidade de Zacarias. “Um empreendimento deste porte não vai querer barracos de pescadores por perto”, diz.

Projeto prevê complexo hoteleiro em área equivalente ao bairro do MéierDivulgação

Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, do Ministério Público Federal e Estadual e do Incra, além de pesquisadores, visitaram ontem o local e discordam do zoneamento da área. “Além da permanência dos pescadores que moram lá há séculos, a nossa preocupação é com a preservação do lugar, que abriga uma fauna e flora que só existe ali”, disse o deputado Flávio Serafini (Psol).

A pesquisadora Desirée Freire, que há mais de 20 anos trabalha na restinga, diz que o projeto ameaça animais em extinção e vai acabar com uma área de pouso de aves migratórias. “Dezenove espécies de animais são encontradas apenas ali, inclusive um mamífero, além de sítios arqueológicos e históricos.”

A IDD Brasil informou, por meio de sua assessoria, que o empreendimento, em fase de licenciamento, “respeita confortavelmente as restrições ambientais para o uso do solo definidas pelo Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá” e que “pensa nos direitos, na integração e no respeito às tradições da Comunidade de Pescadores de Zacarias.”

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