Por paulo.gomes

Rio - O que tem a ver um pequeno produtor de hortaliças e uma costureira do Norte Fluminense com um dos maiores empreendimentos do país, sonhado pelo ex-bilionário Eike Batista? Em São João da Barra, tudo. Instalado na cidade e operando desde o ano passado, com sete mil colaboradores, o Complexo Portuário do Porto do Açu está em busca de fornecedores de alimentos e bebidas, equipamentos de proteção individual (EPI) —como uniformes, capacetes, luvas e cintos de segurança —, material de escritório e de limpeza e muito mais. E quer privilegiar os pequenos negócios locais.

Complexo compra anualmente R%24 700 milhões para sua manutençãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Hoje, apenas 2,5% dos R$ 700 milhões que a Prumo Logística — operadora do complexo — contrata anualmente em produtos e serviços são adquiridos no município onde o empreendimento está instalado. Isso sem contar as outras grandes empresas que já funcionam no local, como Wartsila, AngloAmerican, Ferroport e NOV (National Oiwell Varco). Para ajudar a mudar esta realidade, uma rodada de negócios será realizada hoje e amanhã, com 140 micro e pequenas empresas locais.

Resultado da parceria entre a Prumo e o Sebrae-RJ, o evento faz parte do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores do Complexo do Açu. Palestras, seminários, cursos e consultorias também têm sido realizados, envolvendo empresários da cidade e também de Campos dos Goytacazes, São Francisco do Itaboapoana e Cardoso Moreira.

A instalação na cidade de novos fornecedores para atender ao complexo também vem sendo estimulada. “Além de absorver agricultores familiares, queremos incentivar cozinhas industriais locais para fornecer refeições para os trabalhadores do complexo”, explica o gerente corporativo de suprimentos da Prumo, José Carlos Maia.

Na área de hotelaria, está a maior necessidade. “Hoje seria preciso contar com pelo menos 900 leitos para suprir a demanda do complexo”, diz Maia. A pequena cidade, de 30 mil habitantes, no entanto, possui apenas três pousadas credenciadas, com total de 50 camas, todas já alugadas para a Prumo. O restante dos trabalhadores tem que se hospedar em Campos.

“O maior objetivo da rodada é aproximar estas multinacionais das pequenas e médias empresas do interior, especificamente as sediadas em Campos e São João da Barra, incentivando o aumento da compra local”, afirma Gilberto Soares, gerente regional do Sebrae-RJ. As demandas na rodada incluem material elétrico, serviços de caldeiraria, estruturas metálicas, jateamento, pintura industrial e soldagem e tubulações.

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