Por adriano.araujo

Rio - Foi em vão o trabalho realizado durante meses por integrantes das 20 escolas de samba que desfilam no Campos Folia, o Carnaval fora de época da cidade do Norte Fluminense. Após a prefeitura adiar a data por duas vezes, o evento foi suspenso por conta da redução de gastos da prefeitura com a crise causada pela queda nos repasses de royalties do petróleo. Sem a verba oficial, as agremiações agora têm que lidar com dívidas.

Em março, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima informou que o evento, previsto para o período entre 1 e 3 de maio, aconteceria na primeira quinzena de junho. No início de maio, a prefeitura alterou o calendário para o final de junho. Na semana passada, o município propôs que a festa somente fosse realizada no início de 2016.

Desde 2009%2C quando foi adiado por conta de fortes chuvas%2C Carnaval da cidade atrai milhares de pessoasDivulgação

De acordo com presidentes das escolas, autoridades garantiram que haveria verba para o evento acontecer. “Fizeram reuniões dizendo que a gente poderia continuar trabalhando. Mas o carnaval foi cancelado e agora estamos com dívidas incalculáveis”, afirmou Jorginho França, presidente da Mocidade Louca. “A comunidade está revoltada. Tinham que nos avisar com antecedência.”

Diretor da Madureira do Turf, atual campeã do desfile, Elzio Velasco afirmou que as dívidas que a escola acumulou chegam a R$ 35 mil, sem contar os juros. “O Carnaval estava pronto no barracão, não temos nem onde guardar o material. O líder do governo deu entrevista dizendo que haveria redução de 25% na nossa verba. Mas chegou agora e cancelaram completamente o Carnaval deste ano.”

Em nota, a prefeitura disse que o motivo foi “a atual crise econômica do país que afeta principalmente os municípios produtores de petróleo, que tiveram grande queda em suas receitas.”

A fundação afirmou que celebrará um convênio com a Associação de Bois Pintadinhos de Campos, no valor de R$ 160 mil. Porém, as agremiações alegam que o valor não é suficiente. “Dividido para todo mundo, vai sobrar cerca de 10 mil reais para a gente. Isso não é nem metade da nossa dívida”, disse Elzio.

No Campos Folia 2014, a prefeitura teria desembolsado R$ 330 mil com cachês para levar à cidade três escolas de samba do Rio (União da Ilha, Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinens) e a atriz Viviane Araújo, rainha de bateria do Salgueiro. Já a Liescam recebeu R$ 1,18 milhão para repassar às agremiações.

Festa junina sofrerá corte de gastos

Campos não é o único município do estado em que eventos tradicionais foram afetados pelo corte de verbas dos royalties do petróleo. A vizinha São João da Barra, também no Norte Fluminense, anunciou que o tradicional circuito de festas juninas da cidade terá corte de gastos.

Segundo a prefeitura, o município pretende diminuir o número de atrações musicais de nível nacional, avaliando a possibilidade de realização apenas nos dias 17 (aniversário da cidade) e 24 (dia do padroeiro São João Batista). Nas demais datas comemorativas — Santo Antônio e São Pedro — haverá shows com atrações regionais. A programação ainda não foi fechada.

Apesar das limitações financeiras, o prefeito José Amaro Martins de Souza acredita que a festa continuará movimentando a economia local. “Acreditamos que o circuito estará movimentando o comércio da cidade, pois o público comparecerá em bom número. Ressalto que grandes atrações dos festejos, como Festival da Canção e Concurso de Quadrilhas, entre outras, serão realizadas”, garantiu.

?Reportagem de Lucas Gayoso

Você pode gostar