Sistema de produção para pequenos agricultores familiares se expande

Produtores despertam para a produção de alimentos orgânicos em substituição da agricultura com agrotóxicos

Por O Dia

Rio - José Gedeão da Silva é um agricultor de Porciúncula, no Noroeste Fluminense, e há cerca de dois anos, com o apoio do Sebrae, conseguiu um certificado como produtor orgânico. Em suas terras, de pouco mais de dois hectares, Seu José cultiva, com ajuda da mulher e do filho, uma pequena lavoura de café e uma horta. Quase tudo com o sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), do Sebrae. “Só uma parte da minha lavoura hoje ainda é convencional. Esse ano eu faço a primeira colheita e, conforme o resultado, vou transformar toda em lavoura orgânica de uma vez”, conta.

No Noroeste Fluminense, onde existem 235 agricultores familiares beneficiadas pelo PAIS nos 13 municípios da região, o projeto já avançou e conquistou a certificação orgânica para 98 produtores. Eles obtiveram, sem custos, a certificação de produtor orgânico através do sistema OCS – Organização de Controle Social, fornecida pelo Ministério da Agricultura. Isto representou um grande avanço para a região, que antes tinha apenas cinco produtores orgânicos certificados.

Além da capacitação, por meio de cursos e palestras, para produção de orgânicos, o projeto proporcionou aos produtores o acesso a novos mercados. “Os produtores vendem o que plantam diretamente nas feiras, mercados e quitandas, sem atravessadores, e também para a merenda escolar, em contratos com as prefeituras”, diz Margareth Souza, uma das coordenadoras do projeto do Sebrae em Duque de Caxias. Segundo ela, o produto tem valor de venda 40% superior ao produto convencional.

Os produtos orgânicos podem ser vendidos em feiras e quitandas%2C sem a participação de atravessadoresDivulgação

Seu José conta que, antes, não deixava a família ajudar na lavoura porque usava agrotóxico. Agora, todos ajudam. “Eu já trabalhei muito com veneno e nunca tive problemas. Mas meu filho único, quando tinha um ano e meio, foi intoxicado só porque dormiu ao meu lado. Quase morreu.” O agricultor confessa que trabalhar sem usar veneno sempre foi seu sonho e por isso se interessou pelo projeto. “Minha renda com a horta é de R$ 600 por mês. Sem o uso dos agrotóxicos essa renda cai mais ainda, mas a promessa e a esperança é de que, num curto período, compense.”


Projeto chega a Casimiro e Silva Jardim

O projeto do qual seu José Gedeão faz parte, destinado principalmente a produtores da agricultura familiar, assentamentos rurais e quilombolas, acaba de chegar a Casimiro de Abreu e Silva Jardim, no norte do estado. Trinta produtores serão capacitados em parceria com as prefeituras locais, a Fundação Banco do Brasil e o BNDES.

No Centro Sul, cerca de 150 famílias já são beneficiadas pelo programa. Já existe uma ecovila em implantação em Paraíba do Sul e feiras de orgânicos em Paty do Alferes, Engenheiro Paulo de Frontin, Rio das Flores e Miguel Pereira são abastecidas pelos produtores do PAIS. O projeto também é forte em Duque de Caxias e Guapimirim.

Em Casimiro, a produtora Sônia Maria da Rocha Silva foi a primeira a produzir no modelo. E já vendeu toda a sua produção de alface lisa e vermelha, cebolinha e couve. Agora está em fase de replantio. Em Silva Jardim, o produtor Sirley estava com sua produção paralisada e retomou agora com o projeto. Ele também já vendeu toda a primeira produção e hoje está realizando o replantio.


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