Por felipe.martins

Rio - A rotina da família da professora Samara Leite, de 25 anos, muda sempre quando chove em Petrópolis. Com medo de que a casa seja inundada novamente — como aconteceu durante o temporal que atingiu a cidade em 2013, matando 33 pessoas e deixando 1.234 desalojados — eles se revezam na beira do Rio Santo Antônio, temendo uma nova catástrofe. A preocupação é a mesma para centenas de moradores, que não viram medidas efetivas de redução de risco serem tomadas até hoje.

“É desesperador ver que não fizeram nada. Quando começa a chover a gente fica em estado de choque, as crianças começam a chorar”, afirma Samara, que teve a casa parcialmente destruída e ainda chora a dor da perda de parentes mortos na tragédia.

Casa de Samara foi uma das muitas atingidas pelo temporal de 2013Acervo Pessoal

Nesta quinta-feira, surgiu uma nova esperança para Samara e outras famílias. O Ministério Público (MPRJ) ajuizou uma ação civil pública contra o governo do estado, a Prefeitura de Petrópolis e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) exigindo obras, medidas de prevenção e a efetivação do Programa Morar Seguro, que prevê o reassentamento de mais de 1.000 famílias de áreas de risco. De acordo com o MP, o programa tem R$ 75 milhões aprovados para serem aplicados. No entanto, R$ 30 milhões já se encontram nos cofres do estado, sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

O estado afirmou que aguarda ser notificado oficialmente para analisar a ação. Alegou também que o valor será disponibilizado por etapas, e que já cadastrou 272 famílias para uma primeira fase do Morar Seguro, porém, aguarda trâmites administrativos para efetivar o pagamento. O prazo é de 30 dias. Em nota, a prefeitura divulgou que apoia a ação, que vem tentando fazer a gestão do programa junto ao estado e já teria solicitado acesso aos recursos para dar andamento ao trabalho.

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