Feira de petróleo em Macaé cria 18 mil empregos temporários

Brasil Offshore prossegue nesta quinta e sexta-feiras (dias 25 e 26), reunindo mais de 53 mil pessoas

Por O Dia

Macaé (RJ) - Recepcionistas, carregadores, cozinheiros, motoristas e tantos outros profissionais que nada têm a ver com a bilionária indústria de petróleo e gás também se encontram no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, em Macaé. São trabalhadores contratados para atuar na Brasil Offshore, a terceira maior feira do setor no mundo, que vai até amanhã, reunindo mais de 700 empresas, sendo 155 internacionais.

“Nesta oitava edição, foram criados cerca de 18 mil postos de trabalho temporários, impactando também as cidades vizinhas”, disse Paulo Octavio Pereira de Almeida, vice­-presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, que organiza o evento. "Até mesmo o Airbnb, site conhecido por cadastro de imóveis para temporada, esteve em Macaé para avaliar novas acomodações".

Ele ressaltou que 63% da população de Macaé vivem da indústria do petróleo. “É uma cadeia de pequenas e médias empresas que se beneficia do setor na região. Todos estão aqui, ávidos por mostrar o que fazem”. A empresa acredita tanto no potencial da cidade como a principal base das atividades de petróleo no país que mantém um contrato de longo prazo com a prefeitura, garantindo a organização de mais duas edições da Brasil Offshore, realizada a cada dois anos.

Evento que termina amanhã atrai representantes de empresas nacionais e internacionais para fazer negócios Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Já para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, Vandré Guimarães, a feira consolida a cidade no cenário petrolífero mundial. “Mesmo quando a Petrobras reduz sua capacidade de investimento e foca na produção, a feira acontece e traz discussões técnicas muito importantes neste cenário”. Guimarães admite que Macaé teve queda de 30% em suas atividades econômicas, devido à crise do petróleo e ao escândalo da Operação Lava Jato, mas destaca que quem veio à feira em 2013 e voltou agora não reconhece a cidade.

“Quem esteve aqui há dois anos e está de volta agora vê uma cidade diferente. Criamos um arco viário e estamos investindo em um novo terminal portuário”, explica. "O senador José Serra, que aqui esteve presente na abertura, prometeu analisar o projeto de ampliação da pista do nosso aeroporto”, acrescentou.

Paulo Octávio revelou que existem especulações para tirar a feira de Macaé e levar para cidades vizinhas como Rio das Ostras ou Campos dos Goytacazes, mas que tudo não passa de boatos. “Não houve reunião com nenhuma prefeitura para acertar mudanças na cidade­sede da feira, mas a região todaestá apta a receber um evento deste porte, basta analisarmos a questão da infra­estrutura e demais detalhes. A preferência é com a Macaé e o mais importante é a cidade abraçar o evento”, disse.

Ele também chamou a atenção para o fato de não haver muitos empresários asiáticos na feira. “Temos muito mais ingleses e franceses do que chineses. Estão aqui somente os especialistas, aqueles que ja conhecem o potencial da Bacia de Campos”.

Rodada de negócios deve gerar R$ 1 bilhão

Com a expectativa de gerar R$ 1 bilhão em contratos para os próximos dois anos, a Rodada de Negócios da 8ª edição da Brasil Offshore começou nesta quarta-feira (24) e prossegue nesta quinta (25). Durante os encontros, 20 empresas nacionais e internacionais e 113 fornecedores participam de mais de 400 reuniões. Entre as empresas âncoras estão BR Distribuidora, Delp, Expro, FMC, GE Oleo & Gas, Halliburton, Nuclep, Oil States, Queiroz Galvão O&G, Shell, Schlumberger, Sotreq, SubSea7 e Wärtsila Brasil.

“Apesar de toda a mudança no cenário de negócios nos últimos meses, a feira, assim como a rodada de negócios, mostra a força da cidade. Viemos para a feira com a visão de conhecer nossos fornecedores, pois nosso trabalho depende dessa parceria”, disse o diretor de marketing da Alphatec, Márcio de Matos. A empresa participa, pela primeira vez, como empresa âncora e agendou 35 encontros com fornecedores. 

O diretor comercial do grupo Colmeia Containers, Júlio Delfino, afirmou que a participação na Rodada de Negócios é fundamental para a prospecção de novos negócios. “Já estamos na Bacia de Campos há quatro anos, com bases em Macaé, e a organização de encontros como esse aproxima compradores e fornecedores”, disse.

Na edição de 2013, foram realizados 550 encontros com a participação de 98 fornecedores. Somado o poder de compra do público visitante com o montante das Rodadas de Negócios, a Brasil Offshore 2013 gerou negócios na ordem de R$ 500 milhões.

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