Primeira estrada-parque do Rio não tem acostamento e ciclovia

Rodovia que liga Penedo a Visconde de Mauá possui zoopassagens para animais. Já pedestres precisam se arriscar

Por O Dia

Rio- Uma estrada de 30 quilômetros, que liga Capelinha, pequena localidade de Penedo, em Itatiaia, a Visconde de Mauá, em Resende, na Região Sul Fluminense, ostenta o título de primeira estrada-parque do estado. Inaugurada no início do ano passado, após seis anos de obras e R$60 milhões em investimentos, a RJ-163, que por muitas décadas foi o roteiro favorito de bichos-grilos e remanescentes da cultura hippie em busca de paz e amor, há muito precisava de cuidados. Recentemente, a estrada passou a contar com oito zoopassagens subterrâneas e aéreas, que vão permitir que animais silvestres cruzem a rodovia a salvo de atropelamentos.

Enquanto isso, moradores reclamam que a estrada não tem acostamento e que são obrigados a se arriscar a pé nas curvas sinuosas entre os carros que hoje passam em alta velocidade, apesar de o máximo permitido ser 40 quilômetros por hora. Ciclistas também reclamam da falta de uma ciclovia e garantem que tanto o acostamento quanto a ciclovia estavam previstos no projeto original.

Sem acostamento%2C Roberto se arrisca a atravessar a estrada a péDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Julio Buschinelli, presidente da MauaTur (Associação Turística e Comercial de Visconde de Mauá), alerta para a falta de monitoramento. “Temos mais de 300 pousadas e hotéis. Recebemos muitos turistas e precisamos de pardais, câmeras para controlar a velocidade e sinalização para alertar motoristas e ciclistas dos perigos da estrada”.

O gaúcho Roberto Cury, de 44 anos, há mais de 30 em Mauá, diz que chegou ali para se curar de uma leucemia. Hoje, trabalha com medicina alternativa e confessa que estava acostumado a andar para cima e para baixo com sua bicicleta. “Agora só ando a pé e me arriscando entre os carros. Não me acostumo com isso, não. Esta estrada de parque não tem nada”.

Há quem tenha gostado da estrada-parque, apesar de ficar preocupado com a falta de segurança aos pedestres. É o caso de José Pedro de Oliveira, 68, que mora com a filha nos fundos do único bar que existe na estrada. “É uma pista perigosa. Antigamente todo mundo andava a pé por aqui, turistas e moradores. Hoje em dia a gente corre o risco ao sair por aí. Mas foi bom porque vem mais visitante. As pousadas ficam cheias, o movimento do bar melhorou. É o progresso, não é mesmo?”

DER anuncia pórtico e pedágio

Há moradores que parecem não se incomodar com a falta de sinalização, acostamento ou ciclovia. É o caso de Danilo Souza, 54, ex-caminhoneiro que vive sozinho numa casa escondida no mato, bem no meio da estrada. Dono de um Fusquinha 74, ele sobe e desce a serra várias vezes ao dia, sempre pisando fundo no acelerador. “Esse asfalto foi a melhor coisa que aconteceu. Moro há 12 anos em Mauá e já tive três Fuscas. Isso virou uma pista de kart pra mim”.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) negou que acostamento ou ciclovia estivessem previstos no projeto. “O órgão acatou a decisão do ICMBio e Inea de não permitir o alargamento da rodovia por se tratar de uma área de preservação ambiental”, informou. Até outubro será inaugurado um pórtico no início da estrada. Há ainda previsão de cobrança de pedágio a turistas.

Quatro zoopassagens aéreas foram recentemente instaladas para garantir a segurança de animais silvestresDaniel Castelo Branco / Agência O Dia


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