Baleia ‘some’ em Maricá

Animal de 11 metros e 10 toneladas que encalhou em praia é esquartejado, e ossos e restos mortais desaparecem. Biólogos têm dificuldades em descobrir causa da morte

Por O Dia

Rio - Cadê a baleia que estava aqui? Foi com esta surpresa que biólogos que investigariam a morte de um animal da espécie jubarte depararam na manhã de quarta-feira, menos de 24 horas após o mamífero de 11 metros de comprimento e pelo menos 10 toneladas encalhar na Praia do Recanto, no bairro Itaipuaçu, em Maricá. Durante a madrugada, a baleia foi esquartejada e teve parte da ossada e restos mortais roubados.

O animal morreu há seis dias e encalhou na tarde de terça-feira por causa da força das marés. Quando soube do fato, a Prefeitura de Maricá solicitou a presença de especialistas para análise da causa da morte. Equipes da Secretaria Adjunta de Meio Ambiente e biólogos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Uerj chegaram ao local nesta quarta de manhã e só encontraram a ossada, já limpa, e uma das barbatanas depositadas sobre pedras. Parte da gordura do animal estava espalhada na areia.

Morto há seis dias%2C animal encalhou na terça. Ontem pela manhã%2C havia apenas parte da ossada e gorduraDivulgação e Fernando Silva / Divulgação

Para a prefeitura, a principal hipótese é que a baleia tenha sido esquartejada durante a madrugada para aproveitamento dos ossos e da barbatana, e o que restou da carcaça foi jogado no mar. “Esperávamos encontrar a baleia inteira e, para nossa surpresa, estava destrinchada. Pelo corte preciso na barbatana e o estado limpo em que os ossos da costela foram encontrados, é bem provável que o animal tenha sido cortado por profissionais”, afirma Valdir Almana, biólogo da secretaria.

Para o biólogo David Zee, o óleo da baleia não teria tanta utilidade e poderia ser usado apenas para confecção de sabão e combustível. Algumas empresas o utilizam para a produção de cosméticos. Ainda segundo ele, o fenômeno das baleias encalhadas é causado pela migração da espécie. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a prática não caracteriza crime ambiental se as peças forem levadas para a própria subsistência. Só é crime se for para fins comerciais.

Equipes monitoram praias próximas, já que há alerta de ressaca e o que restou da carcaça deve retornar para a faixa de areia. Se encontrados, os restos mortais deverão ser enterrados.

Reportagem do estagiário Vinícius Amparo

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