Por tabata.uchoa

Rio - Mineira criada no Espírito Santo, Cássia Gonçalves Moreira, de 47 anos, 12 como soldadora, perdeu o emprego, mas não perdeu o sonho. Dispensada em dezembro por uma das empresas envolvidas na Operação Lava Jato, a Alumini Engenharia, até hoje não viu a cor do dinheiro da indenização. Passou a vender empadas nas ruas de Itaboraí para sobreviver e chegou a se desfazer de todos os móveis da casa para se mudar com o marido, também soldador, para o Rio Grande do Sul, onde trabalhariam em outras empresas a serviço da Petrobras. Mas, de última hora, ele adoeceu, e o casal acabou ficando na cidade, à espera da prometida retomada da construção do Comperj. O marido chegou a voltar para o canteiro de obras, trabalhou por mais dois meses e foi demitido na última quinta-feira.

A soldadora Cássia%2C que perdeu o emprego no Comperj%2C é uma das que vestirão a camisa do movimentoPriscila Marin / Divulgação

Nesta segunda-feira, Cássia vai vestir outro ‘uniforme’ — uma camiseta com o slogan ‘Juntos pelo Comperj — Refinaria Já’ — e atravessar a Ponte Rio-Niterói para um abraço simbólico à sede da Petrobras. O ato, que pretende reunir 5 mil pessoas, pode tornar ainda mais caótico o Centro do Rio em plena tarde de segunda-feira. Segundo os organizadores, serão 118 ônibus, vindos de 13 das 15 cidades da região impactada pelo Comperj. Liderados por prefeitos, os manifestantes cobrarão a conclusão da obra de uma das refinarias do complexo, que já estaria 82% pronta.

Servidores públicos de Itaboraí, Rio Bonito e Tanguá terão ponto facultativo para participar do ato. De acordo com a Prefeitura de Itaboraí, a CCR Barcas vai liberar mil bilhetes de ida e volta para quem estiver usando a camiseta do evento. Um esquema está sendo montado no Rio para evitar engarrafamentos e tumultos. “Espero que seja um ato pacífico e impactante. Vamos pedir a Deus, porque está complicado”, diz Cássia, que sonha ficar em Itaboraí, onde vive há cinco anos.

Esquema para evitar nó no trânsito

Prefeito de Itaboraí e líder do movimento, Helil Cardozo diz que o ato é apartidário e conta com apoio de empresários das cidades, que cederam ônibus e forneceram camisetas oficiais e lanches para os participantes. “Não queremos causar transtornos. Informamos às autoridades do estado e do município. O evento vai acontecer, com apoio ou não”, disse.

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que vai monitorar o andamento do ato, fazendo ajustes operacionais se necessário ao longo do percurso. Já a Secretaria de Transportes, a CET-Rio e a Guarda Municipal disseram que estão tomando providências para reduzir os impactos do evento no trânsito, mas não especificaram quais.

A Autopista Fluminense informou que obras emergenciais no trecho entre Itaboraí e São Gonçalo serão suspensas pela manhã e equipes estarão de prontidão para emergências médicas e mecânicas. A Polícia Militar reforçará o policiamento em toda a área, mas, “por questões de segurança”, não detalhou o quantitativo. A Ecoponte fará operação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal, mas não detalhou “para não atrapalhar os procedimentos”. Já a ANTT e o Detro disseram que não foram comunicados sobre o ato.

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