Por bferreira

Rio - A direção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) divulgou nota nesta sexta-feira, sobre a detenção de três jovens ambientalistas – um deles menor de idade - em Volta Redonda, conforme o DIA Online divulgou com exclusividade. A empresa alega que houve “invasão e depredação” de seu patrimônio”. “As autoridades agiram de acordo com sua competência e o caso deve seguir seu curso legal”, diz um trecho da nota.

No mesmo documento, a CSN garante que “preserva a Floresta da Cicuta e mantém uma parceria com os órgãos ambientais para seu manejo correto”. “As demandas da comunidade são sempre levadas em consideração quando esse manejo é discutido com as autoridades ambientais”, completa a nota.

Momento em que o ambientalista Edimar Zambroni foi detido pela PM%2C acionada por seguranças patrimoniaisMarcelo Miranda / Ambiental Sul

Os jovens Edimar Zambroni, João Paulo Miranda, e um adolescente de 17 anos, integrantes do Coletivo Bosque dos Bambus, voltado para o reflorestamento de árvores frutíferas, recuperação de matas e conscientização ambiental em Volta Redonda, foram detidos no final da tarde desta quinta-feira por policiais militares do 28ºBPM (Volta Redonda). Alegando invasão de propriedade particular, seguranças patrimoniais siderúrgica acionaram a PM. Os ambientalistas passaram sete horas na 93ªDP (Volta Redonda), até serem liberados pela equipe de plantão, que entendeu que não houve prática de crime.

De acordo com José Maria da Silva, o Zezinho, integrante da Comissão Ambiental Sul, que prestou solidariedade aos rapazes na delegacia, Edimar, João Paulo e o adolescente, estavam fazendo o manejo de plantas numa área localizada nos arredores da Floresta da Cicuta, tida como o pulmão verde da região, na Fazenda Santa Cecília, quando foram surpreendidos pela polícia.

Veja vídeo postado pelo ambientalista Edimar Zambroni na delegacia

“Os jovens estavam fazendo justamente o que a CSN não faz, que é cuidar do manejo da floresta, para que ela não seja extinta. Estavam numa área que historicamente é de domínio público, na altura do bairro Sessenta. Essa atitude foi mais uma demonstração de arrogância e intolerância por parte da CSN, recordista de crimes ambientais, segundo o próprio Ministério Público Federal”, afirmou Zezinho, adiantando que o a “arbitrariedade da CSN, que expôs os jovens a constrangimentos ilegais”, será discutida em audiência pública sobre meio ambiente, com foco na Floresta da Cicuta, programada para as 18h30 desta sexta-feira, na Câmara de Vereadores. “Novas medidas judiciais contra a empresa também serão discutidas”, completou.

Num vídeo postado na internet, Edimar lamenta o fato de ter sido encaminhado à delegacia e convoca a população para a audiência. “A CSN quer o mal justamente daqueles que querem o bem para a cidade”, lamentou. A CSN deve se pronunciar nesta sexta-feira sobre o assunto.

No dia 3 deste mês, pelo menos 400 pessoas compareceram ao ato batizado de "A Cicuta é Nossa", promovido pela Comissão Ambiental Sul, em defesa da Floresta da Cicuta. Considerada o "pulmão verde" do Sul Fluminense, a reserva, que tem 131,28 hectares de mata Atlântica, entre Volta Redonda e Barra Mansa, passou a pertencer à CSN com a privatização da usina, acusada pelo Ministério Público Federal de tê-la abandonado. Em 2011, ela foi fechada à visitação pública.

O movimento de ambientalistas e moradores cobra o gerenciamento integram da floresta por parte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atualmente, segundo denúncias do MPF, é impedido de exercer todas as suas funções que lhe competem na Floresta da Cicuta. A comissão também quer uma audiência com o secretário de estado do Ambiente, André Correa, para discutir o assunto. A assessoria do secretário ainda não informou ao DIA se já há data definida para a reunião.

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