'Até o governo federal tem dificuldades', diz Timor, prefeito de Japeri

Político lamenta que os governantes anteriores não tenham feito algo básico para a organização urbana e financeira da cidade

Por O Dia

Rio - Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor, 47 anos, é gestor de uma cidade com grandes contrastes. Pagou a segunda parcela do 13º salário e está em dia com a remuneração de seus funcionários, feito que vários colegas não conseguiram. Porém, administra um município com mais de 100 mil habitantes que não dispõe de hospital nem maternidade. Cita os problemas do governo federal para justificar as dificuldades que enfrenta e garante que até março de 2016 vai entregar à população a UPA do Parque Natal. Timor lamenta que os governantes anteriores não tenham feito algo básico para a organização urbana e financeira de Japeri, o georreferenciamento das residências.

'Até o governo federal tem dificuldades'%2C diz Timor%2C prefeito de JaperiAlexandre Brum / Agência O Dia

O DIA: Japeri teve que se adequar à situação de crise por que passa o Brasil? Como o senhor agiu?

TIMOR: A crise também chegou a Japeri. Conseguimos, com educação financeira, manter as contas em dia. Temos contas a pagar, mas não temos dívidas. Reduzimos gastos com combustíveis, locação de carros e máquinas. Realizamos uma licitação para a iluminação pública. Vamos dar um banho de luz na cidade com lâmpadas de LED, mais econômicas, duráveis e que causam menos impacto no meio ambiente.

E o pagamento dos funcionário está em dia?

Sim. Todos os servidores já receberam o pagamento e, na sexta-feira, depositamos a segunda parcela do 13º salário. E os fornecedores também não podem reclamar.

Há uma grande queixa dos moradores quanto ao atendimento na área de Saúde. A prefeitura está investindo mais na área?

O investimento é o mesmo do ano anterior. Por exemplo, o governo federal repassa todo mês para o setor R$1,6 milhão. Um valor pequeno e, com essa crise, ficou pior. Além do fato de que a quantia já está defasada.

E a conclusão da UPA, no Parque Natal?

O que paralisou a obra foi a criação de um novo cronograma, exigência do governo federal. Depois atrasaram o repasse de duas parcelas. Se agora não acontecer mais demora no envio da verba, nossa previsão é que a UPA será entregue em março do próximo ano.

O senhor vai reformar a Policlínica Itália Franco?

Vamos fechar a área antiga da e abrir as salas novas. Todos os consultórios são equipados e têm ar-condicionado. Além de mamógrafo e raio-x, temos dois pediatras, dois clínicos, radiologista e duas ambulância da Samu. Mantemos isso e os dez postos de saúde. Recebemos pacientes de Queimados, Paracambi e Seropédica. Até os hospitais universitários estão fechando. Se até o governo federal tem dificuldades, imagine Japeri.

Japeri não tem sequer uma maternidade.

Não temos condições de construir uma maternidade sozinhos. E o custo de internação de uma grávida é altíssimo. Há cinco anos entreguei documento aos governo estadual e federal pedindo ajuda.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou suas contas de 2014?

Na quinta-feira, o TCE aprovou as contas de meu governo. Sou prefeito há seis anos e sempre tive aprovação pelo Tribunal, isso merece comemoração, porque mantive os compromissos com Educação e Saúde e consegui ficar dentro do limite que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Qual é o salário do professor em Japeri? Quantas crianças estão em sala de aula?

O professor de Japeri recebe R$ 2.400, um dos melhores salários do estado. Temos 18 mil alunos na rede pública municipal, 50% das escolas têm bibliotecas e quadras esportivas. A Escola Celita Rodrigues foi reconstruída. Agora é um prédio de três andares com acessibilidade, área poliesportiva e salas de informática.

Como está a arrecadação da cidade?

No primeiro semestre arrecadamos R$ 155 milhões e vamos fechar o segundo semestre com R$ 127 milhões. Verba de ICMS e impostos federais. Vamos fazer o mapeamento georreferencial de Japeri. Após a emancipação, os governantes não levantaram o número de casas nem legalizaram os imóveis. Arrecadamos apenas R$ 1 milhão com o IPTU.

O senhor pode contar com o apoio do governador Pezão?

Sim. Há obras acontecendo através do programa Somando Forças, do governo do estado. E o presidente da Alerj, Jorge Picciani, também é parceiro: pediu que o governador nos atendesse com saneamento e drenagem de 12 ruas no bairro Santa Inês.

Quem vai apoiar como seu sucessor?

O meu pré-candidato é meu vice-prefeito, o Guigo da Padaria. Ele nasceu na cidade, foi vereador e subsecretário de Saúde.

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