Em vez de circo, o pão: cidade dará dinheiro da folia para desabrigados

Paraíba do Sul decretou emergência por conta das chuvas. Cabofolia também é cancelada

Por O Dia

Rio - As chuvas que já duram quase uma semana levaram a Prefeitura de Paraíba do Sul, no Sul Fluminense, a suspender o Carnaval. A cidade foi a única no estado a decretar emergência e calamidade pública por conta das chuvas. O prefeito Márcio de Abreu Oliveira, o Marcinho, anunciou que vai direcionar os recursos da folia às mais de mil famílias afetadas pela tragédia, sendo 917 famílias desalojadas e 112 desabrigadas.

Elas também ficarão isentas de pagar o IPTU deste ano. Nesta quarta-feira, a Defesa Civil do município informou que o nível do Rio Paraíba do Sul está oscilando e pediu que a população ribeirinha continue em alerta.

A organização da Cabofolia também decidiu cancelar o evento, que começaria nesta quinta-feira em Cabo Frio, na Região dos Lagos, com estimativa de atrair milhares de pessoas até sábado. De acordo com os organizadores, o tempo inviabilizarou a montagem da estrutura da festa, que reuniria nomes como Tuca Fernandes, Babado Novo, Bell Marques e Durval Lelys. Os valores dos ingressos serão devolvidos a partir das 10h.

Paraíba do Sul teve deslizamentos de barreiras e queda de árvores. A cheia do rio causou prejuízos a lavourasGustavo Leal / Jornal Na Hora Certa

Em Paraíba do Sul, R$ 500 mil que seriam destinados ao Carnaval e outros eventos este ano pela Secretaria municipal de Turismo serão direcionados a um fundo que irá se transformar em um cartão a ser entregue daqui a um mês às famílias atingidas pela enchente, com recursos divididos em 10 parcelas. Além disso, elas receberão aluguel social por até seis meses.

De acordo com a prefeitura, o município vive o pior desastre ambiental de sua história, com a enchente do Rio Paraíba do Sul e do Ribeirão do Luca, que atingiu nove bairros e destruiu ruas e estradas. Três escolas que atendem quase 600 crianças foram arrasadas. A prefeitura montou pontos de coletas e abrigos em escolas, creches e igrejas.

Crise financeira, a vilã do Carnaval

Não é apenas por causa da chuva. A crise econômica tem sido a grande vilã da folia este ano em diversas cidades do estado. Com orçamento em queda por conta da desvalorização do barril de petróleo, que levou a indústria a reduzir investimentos na cidade, a Prefeitura de Macaé também decidiu revogar a licitação da empresa que realizaria o Carnaval.

Em cidades da Região Metropolitana, como São Gonçalo, São João de Meriti e Queimados, os desfiles de escolas de samba também foram suspensos. Em Nova Iguaçu, a prefeitura reduziu de R$ 35 mil para R$ 20 mil a verba para as 15 escolas de samba. Os dois blocos de afoxé da cidade receberão, cada um, R$ 7 mil.

Em São Gonçalo, os bailes de rua que aconteceriam em 40 bairros foram cancelados. A prefeitura alega que está investindo maiores volumes de recursos na área de saúde, por conta da crise no setor na rede estadual. O Pronto Socorro Central, que recebia 350 pacientes/dia, agora atende cerca de 1100. No Hospital Luiz Palmier, os partos passaram de 90 para 350 por mês.

Últimas de _legado_O Dia no Estado