Por adriano.araujo, adriano.araujo
Rio - Este título é o mesmo de uma das melhores canções da MPB, eternizada na voz de Zé Ramalho. A citação provocativa é para abordar a situação lamentável dos trabalhadores dos Correios. Há muita crítica sobre a qualidade dos serviços, porém pouco se fala das dificuldades e dos riscos diários dos carteiros. Cenário que se resume em tensão, estresse e violência.
Foram 11 assaltos por dia somente no mês passado. Em 2015, mais de 2.250 trabalhadores foram rendidos por bandidos, aumento de mais de 20% em relação ao ano anterior. Somente na área de Bangu foram 261 ocorrências. Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios, há casos de carteiros que são assaltados 20 vezes por ano.
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Sabemos que, infelizmente, o próprio Estado admite possuir áreas “de risco”. No entanto, essa reconhecida incapacidade de proteção ao cidadão acaba punindo duplamente uma população que paga seus impostos e que, pela falta de investimento em segurança, tanto pelo lado da empresa em relação aos seus funcionários quanto do próprio governo estadual — que tem a obrigação de oferecer segurança pública —, não é atendida com serviço de correspondência de qualidade.
O que ameniza essa situação é a colaboração das associações de moradores, que acabam se tornando as principais parceiras dos carteiros.
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A realidade é crítica, pois, com as novas tecnologias e o avanço das compras vias internet, a tendência é de que cada vez mais seja necessário um aprimoramento logístico e um sistema de inteligência em segurança apto a garantir o pleno funcionamento dos Correios. E, obviamente, será preciso também investimento no suporte aos funcionários que estão sofrendo as consequências de doenças causadas pelo estresse da atividade, além das Lesões por Esforços Repetidos, que cada vez mais atingem esses trabalhadores.
Quanto ao poder público, já é notório que não serão só policiais que serão dadas as garantias de segurança a esses trabalhadores e população em geral. É preciso investir na educação de base, na formação cidadã e em projetos que contemplem todas as áreas sociais. Caso contrário, não só os carteiros, mas toda a massa trabalhadora continuará sendo um “povo marcado”, numa vida de gado, como na música.
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?João Tancredo é advogado