Marcos Espínola: Risco maior e inevitável

Estudo recente do Instituto de Segurança Pública apontou que policiais de folga no Rio de Janeiro têm quase inacreditáveis 6.000% mais chance de morrer em tentativas de assalto

Por O Dia

Rio - Vários profissionais tentam fomentar o orçamento familiar buscando, nos fins de semana e nas folgas, trabalhos como freelancer. É assim com pedreiros, eletricistas, mecânico e advogados, que mantêm o emprego como forma de garantir um valor certo no fim do mês. Com os policiais não é diferente. Porém, muitas vezes eles pagam um alto preço por isso, perdendo a própria vida. Risco inevitável mediante a necessidade de complementar a renda da família, o que não deveria acontecer devido à importância de sua função.

No caso dos policiais, independentemente de estarem trabalhando ou não nas folgas, há um agravante que passa despercebido por muitos. O fato de eles serem policiais 24 horas por dia os coloca numa situação crítica em relação ao cidadão, pois, se forem identificados num assalto, a sentença de morte é certa.
Estudo recente do Instituto de Segurança Pública apontou que policiais de folga no Rio de Janeiro têm quase inacreditáveis 6.000% mais chance de morrer em tentativas de assalto do que pessoas de outras profissões.

No levantamento, que analisou casos ocorridos entre janeiro e novembro de 2015, 20 agentes de segurança, entre policiais civis e militares, foram vítimas de roubo seguido de morte, o que equivale a um sexto do total de ocorrências em todo o Estado do Rio no mesmo período.

Há quem diga que isso acontece porque o próprio policial ao ser abordado num assalto reage. Isso é um fato, mas não há muita alternativa, pois, se agir de forma passiva, ao ser identificado, impiedosamente é executado. Se há uma chance, essa é a reação, visando a ser o mais ágil possível para se tornar um elemento surpresa para o bandido.

Independentemente se em situação de assalto ou no ‘bico’, o fato é que a vulnerabilidade do policial enquanto profissional é grande. Mas alguns fatores fatalmente contribuiriam para reverter esse quadro. O principal deles é um salário à altura da importância dessa função para os cidadãos e a manutenção da ordem. Certamente, com melhor padrão financeiro, as atividades extras se tornariam bem menores. No atual momento do Rio de Janeiro, onde a cada dia as ações dos marginais estão mais audaciosas, os riscos dos policiais são sim, além de maiores, inevitáveis.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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