Cid Benjamin: O prefeito e seus camisas pardas

É chegada a hora de a sociedade reagir e cobrar investigações isentas, a cargo de ouvidorias externas, livres do corporativismo

Por O Dia

Rio - Na madrugada do dia 13 de fevereiro, o Technobloco encerrava seu desfile de Carnaval na Praça Mauá quando seus integrantes foram atacados por guardas municipais, em seus uniformes de cor parda. Rapazes e moças foram brutalmente espancados. A surpresa foi generalizada, pois até então tudo transcorria sem incidentes. Quem ousou pedir explicações ou protestar foi também agredido e sumariamente preso por “desacato à autoridade” — a nova senha para o vale-tudo por parte da gangue fardada de Eduardo Paes. Aliás, vários dos membros da Guarda estavam sem identificação no uniforme, o que fere as regras.

Quem tentou registrar a truculência foi agredido, algemado, preso e teve o celular destruído pelos inspetores. Foi o caso do jornalista Bernardo Tabak. Fotos dele postadas depois nas redes sociais mostram um quadro espantoso: suas costas e nádegas estão cheia de equimoses, inteiramente roxas.
Outro jornalista, colega de Bernardo, sofreu luxação no braço, e um produtor cultural teve fratura exposta no cotovelo, tendo que passar por uma cirurgia. É preciso dar um basta nisso.

Episódios como este se repetem, e o que dizem os comandantes da Guarda Municipal é que tudo será apurado. Quando muito, prometem apurar o acontecido e afastar os responsáveis pelas violências, sem que se saiba de punições mais efetivas. E na apuração, além dos acusados pela truculência, mais alguém é ouvido? As vítimas ou testemunhas isentas, por exemplo?

É chegada a hora de a sociedade reagir e cobrar investigações isentas, a cargo de ouvidorias externas, livres do corporativismo. Ouvidorias independentes da prefeitura e do governo do estado. Enquanto isso não ocorrer, o prefeitinho Eduardo Paes seguirá contando com seus camisas pardas para agredir impunemente as pessoas pelas ruas, tal qual faziam os camisas pardas das S.A. de Ernst Röhm na Alemanha nazista.

Aquelas milícias fascistas espancavam adversários de Hitler, esquerdistas, judeus e gays, até que, por pressão do Exército alemão, em 1934 foi extinta e teve os líderes assassinados. Um dos argumentos para tal era que seu próprio chefe, Röhm, era homossexual. Ironias da história.

É preciso que as asas dos nossos camisas pardas sejam cortadas o quanto antes. E, claro, de forma mais civilizada.É chegada a hora de a sociedade reagir e cobrar investigações isentas, a cargo de ouvidorias externas


Cid Benjamin é jornalista

Últimas de Opinião