Ruy Chaves: Quadrilhas!

O termo pode indicar associação de criminosos que sequestram e matam, que explodem bancos e carros-fortes, roubam celulares, cordões e relógios...

Por O Dia

Rio - Calma, gente, sem razão para susto! Claro, o termo ‘quadrilha’ pode indicar associação de criminosos que sequestram e matam, que explodem bancos e carros-fortes, roubam celulares, cordões e relógios, que invadem moradias e levam dinheiro escondido no colchão, eletrodomésticos, botijões de gás e galinhas.

São criminosos incompetentes flagrados e agredidos pelas respostas das ruas e presos incontáveis vezes, sempre retomando seu ciclo de tragédias até a morte prematura sob violência extrema. Também formam quadrilhas criminosos competentes, difíceis de pegar, traiçoeiros príncipes com gravatas aparentemente do bem, lobos-ratos ensaboados, involução da natureza humana, com riqueza que o trabalho jamais conquistaria, pinóquios do mal que roubam o patrimônio e a honra nacionais praticando crimes hediondos com danos terríveis à sociedade.

Felizmente, ‘quadrilha’ é uma dança típica de épocas juninas e julinas que todo mundo associa a passos marcados e roupas coloridas, celebrando o casamento caipira: o único perseguido pelo delegado e ameaçado pelo futuro sogro é o noivo, que nada tem de criminoso, apenas reluta em casar. No mais, fogueiras, fogos, comidas, alegria, êta tempo bão!

Fantástico o poema ‘Quadrilha’, de Drummond: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o Convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J Pinto Fernandes que não tinha entrado na história”. Um péssimo poeta, adaptando o texto ao mundo atual, diria:

João era da quadrilha de Tereza, que era laranja de Raimundo, que era sócio de uma offshore com Maria, que chantageava Joaquim, que sempre jurava inocência, mas era doleiro de Lili, que não amava ninguém, mas quebrava o galho de todo mundo. João virou o supremo marqueteiro, elegia até postes, Teresa foi presa na Lava Jato, Raimundo morreu morto de vergonha mas podre de rico, Maria virou vampira e tem uma rede de bancos de sangue, Joaquim fez delação premiada, está em prisão domiciliar com coleira eletrônica, e Lili casou com o dono do Sítio do Picapau Amarelo, que nada sabia sobre esta história. Ou não? Panta rei.

Ruy Chaves é diretor da Estácio e da Academia do Concurso


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