Wagner Victer: Vai chover ar-condicionado!

Posso afirmar que teremos, em breve, acidentes gravíssimos com o ar-condicionado do tipo split, cada vez mais comum

Por O Dia

Rio - Na engenharia, sempre após uma grande tragédia, normas e projetos são aperfeiçoados. A queda de avião na rota Rio-Paris fez com que mecanismos de apoio, como o pitot, fossem aperfeiçoados. A explosão de bueiros, que aconteceu algumas vezes em diversos bairros da cidade — caso conhecido e lembrado por todos —, cessou após intervenções firmes.

As constantes quedas de marquises e acidentes com elevadores fizeram com que fossem criadas normas de avaliação periódicas. As novas regras foram elaboradas por técnicos da prefeitura, com o envolvimento do Crea, amparadas pela qualificação de empresas especializadas. Com isso estes tipos de acidentes também tiveram redução brusca.

Participei, como engenheiro, da discussão que levou à criação de importantes legislações no âmbito da Câmara e da Alerj, criando a lei que obriga a autovistoria em prédios na capital, que é modelo de sucesso já adotado em grandes cidades do mundo.

A elaboração desta legislação teve enfoque prioritariamente no aspecto estrutural. Desta lei, aspectos como verificação das ligações elétricas, instalações de gás e até ligações de água e esgoto tem sido avaliados.

Mas existe um tipo de instalação que me preocupa profundamente. Posso afirmar que teremos, em breve, acidentes gravíssimos: o ar-condicionado do tipo split, cada vez mais comum. É um tipo de instalação que não está sendo plenamente avaliado. O problema é que o split, ao contrário daqueles aparelhos que possuem caixa estrutural, são suportados por cantoneiras fixadas em paredes e fachadas externas com seu sistema de refrigeração extremamente pesado, que com a queda se transforma literalmente em um ‘torpedo vertical’.

Ensinamos aos alunos dos cursos de instaladores da Faetec a importância de utilizar materiais adequados, não sujeitos a intempéries e a corrosão. Isto quando não são presos com o diâmetro e profundidade adequados. Além disso, a fixação à parede, mesmo quando bem-feita, está sujeita a cargas dinâmicas e contínuos movimentos do próprio ar-condicionado.

Medidas drásticas em relação a este tipo de instalação devem ser adotadas imediatamente, em especial nas autovistorias. Sugiro e apoio até mesmo a criação de lei específica para a obrigação.

Wagner Victer é engenheiro e presidente da Faetec

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