Milton Cunha: Diversão Garantida

É impressionante como este clima bom da cultura carioca não combina com o pessimismo da economia e da política

Por O Dia

Rio - Fui na reinauguração do Teatro Serrador, quando a Deusa Bibi cantou Sinatra. “Aqui sobre esta ribalta, há exatos 75 anos, eu dei meu primeiro passo rumo à cena. “Quantas recordações, quantas emoções em turbilhão”, disse a velha Dama Digna. Só isto já era para se rasgar, que mulher é essa, que atriz tem tanto lastro, que artista no mundo está comemorando a mesma coisa? Será que tem outra? Porque se não tiver, já vamos pedindo ao COI, à Fifa, ao livro de recordes nossa medalha de ouro. 

Tem que reverenciar, tem que se jogar no chão, sobre a poça d’água, pra ela passar em cima, pisando-nos, porque com corpinho de 30, ela tá com tudo e não está prosa. Nos contou dos ciúmes do pai, e durante uma hora cantou com a Orquestra. No Old Man River desce gutural aos porões da lamúria do idoso a velejar águas distantes, no Under My Skin vira uma coquete de cabaré, cheia de suingue e maledicência. O máximo! Dá vontade de chegar com a idade dela aprontando todas! O Prefeito amado, Dudu Paes estava com o pé quebrado, engessado e na cadeira de rodas. Ele torto, Bibi tesa. Idade não põe mesa!

Depois fui na reinauguração do Teatro Ziembinski, na Tijuca, quando a divina Fernanda Torres encarnou a despudorada personagem de “A casa dos Budas Ditosos”. Que porrada! Encenação bacanérrima, texto primoroso (que alegria ouvir a voz de João Ubaldo Ribeiro, nosso moreno encantador). Tudo nos trinks, e esta sensação de que a Cidade do Rio de Janeiro está bombando. Foi aí que Fernanda falou que temos que exigir a devolução do Teatro do Hotel Glória para a cultura municipal. Todos concordamos e o burburinho citou o teatro fechado do Copacabana Palace. Ora, se a municipalidade fez o dever de casa, está reabrindo salas de espetáculos, nos deu o Museu do Amanhã, estão vindo aí novinhas lonas culturais no inicio de março, então resta a pergunta: porque a iniciativa privada não está fazendo a sua parte? Cartas para a redação.

De qualquer forma, parabéns secretário Calero (um pão!), que além de ter bem planejado a verba curta que tinha, conversou muito com os produtores em 2015. Sabiam que de abril a setembro, na Olimpiada, vai rolar o passaporte cultural? Quase duzendos projetos artísticos estão contemplados no edital Rio Cidade Olimpica, e teremos portanto um espetáculo pelo menos, por dia, em todos os bairros . E desta vez Madureira não chorou, foi o segundo bairro mais contemplado (depois do Centro).

É impressionante como este clima bom da cultura carioca parece não combinar com o pessimismo da economia e da política. Mas pelo menos, já que chegou a hora de mostrar ao mundo que somos a capital das artes brasileiras, não vamos fazer feio. Ao contrário, estaremos bonitos na fita. Que abram as cortinas, porque nossos artistas estão preparados! Boa sorte aos nossos atletas, porque a diversão está garantiga!



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