Editorial: Muita água no chope dos 451 anos

Uma cidade que se julga olímpica não pode sofrer rotineiramente com inimigo tão previsível

Por O Dia

Rio - Cariocas comemoraram o 451º aniversário do Rio se recuperando de mal que parece ser tão ou mais antigo que a cidade: o drama das enchentes. Este 1º de março sucedeu um 29 de fevereiro que registrou ao menos cinco mortes e muitos prejuízos — sem falar no transtorno de não poder se locomover.

Uma cidade que se julga olímpica — e que vem passando por profundas transformações — não pode sofrer rotineiramente com inimigo tão previsível: chove torrencialmente nesta época há anos, e se conhece os pontos mais críticos, mas ainda assim as ruas inundadas impõem ‘toque de recolher’ que cerceia o direito de ir e vir.

A construção dos piscinões e a própria geografia da cidade — espremida entre dois maciços — são atenuantes, mas não devem, em absoluto, conceder salvo-conduto para que se aceite a situação, como uma sina inexorável. São as galerias pluviais que estão obsoletas? É a vergonha do lixo? São pontos saturados? Solução fácil não existe, mas os cariocas não devem se contentar com pouco.

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