Geraldo Pudim: Campos tem jeito

A queda na receita dos royalties do petróleo é realidade, mas não justifica a profunda crise que assolou a Prefeitura

Por O Dia

Rio - Estados e municípios estão vivendo uma situação difícil por causa da queda no preço do petróleo. O barril, que na última década chegou a valer mais de 100 dólares, baixou para cerca de 30 dólares. Mesmo diante de tantas oscilações de preço e constantes ameaças de mudança nas regras dos royalties, os prefeitos dos municípios produtores não perceberam o risco iminente de queda de receita. 

No caso de Campos, onde pude contribuir com o atual governo através de projetos de grande importância socioeconômica, eu já sentia que a bonança dos royalties estava prestes a acabar e que o município teria de investir na qualificação, na geração de empregos e novas fontes de receitas. Fui voz vencida. No longo período de bonança, a prefeitura priorizou as políticas compensatórias de renda, com decisões tomadas de forma isolada.

Políticas que promovam o bem-estar social são fundamentais, pois a população carente precisa de apoio para resgatar a cidadania. Mas é preciso avançar, fortalecendo a economia através do incentivo ao emprego. Para acabar com os bolsões de pobreza, mais importante do que oferecer assistência social é criar mecanismos para que os cidadãos possam caminhar com as próprias pernas, vencendo pela dignidade do trabalho. O emprego da economia real foi esquecido, e optaram em perpetuar um tecido social que não será resgatado para buscar vaga no mercado de trabalho formal sem investimentos.

Como referência internacional, os países da América Latina — Venezuela, Argentina, Equador e Peru — que implantaram modelos populistas estão em profunda crise social. Campos está no mesmo vagão. A prefeitura está em processo de pré-concordata. Um município de tão ricas tradições e um povo dedicado ao trabalho não pode triunfar adotando o modelo chavista.

A queda na receita dos royalties do petróleo é realidade, mas não justifica a profunda crise que assolou a Prefeitura de Campos. Outros municípios com o mesmo porte e orçamento em torno de R$ 1,7 bilhão estão conseguindo criar empregos e investir em políticas sociais sustentáveis. Para isso, é preciso adotar o orçamento participativo, criar a figura do gestor distrital e fazer pacto com todos os segmentos da sociedade com um governante presente. Campos tem jeito.

Geraldo Pudim  é deputado estadual pelo PMDB

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