Carlos Alberto Rabaça: Obrigações do poder

Nossa presidente deve dizer a verdade e respeitar a lei. Se ela se comportar dessa forma, nosso país poderá ser saudável e seguro. A nação precisa vencer desafios sem violência e ódio

Por O Dia

Rio - Até recentemente o Brasil estava otimista em relação ao futuro e à nossa capacidade de lidar com os problemas internos e externos. Julgávamos ter os recursos necessários. Então as coisas começaram a mudar. Não sabíamos, mas criava-se outra tendência que viria a ser o maior escândalo da história brasileira, a Operação Lava Jato, indignação tão nociva e profunda que põe em risco nosso próprio sistema de governo representativo constitucional.

Muitos de nós acreditávamos que a presidente Dilma e os órgãos que a assessoravam não apenas eram conhecedores de grande quantidade de informações secretas, que os capacitavam a saber o que era melhor, mais sensato e mais prático para o país, mas também que, por sua experiência e capacidade, estavam mais bem qualificados a esclarecer as dúvidas relativas às políticas do governo e às suas relações institucionais.

Não estávamos a par de abusos no relacionamento público e privado e a capacidade de manipular a opinião pública. A mácula da ilegalidade, então, veio à tona e a turbulência do dia a dia invadiu o cotidiano da população. Empresas passam, então, a ter prejuízos por falta de agenda voltada à produtividade.

A tirania do desperdício continua a macular os órgãos do governo. A agenda econômica é esvaziada pela crise política. A população, agora, percebe as tolices cometidas por nossos representantes.

A obrigatoriedade, expressa na Constituição, de que o povo tenha pleno conhecimento do que o governo faz, revela uma das maiores garantias de liberdade. Mas isso só não basta. Os homens públicos de nossa geração têm a obrigação de estudar e analisar a devastação porque estamos passando e de examinar os problemas constitucionais que foram expostos.

Os poderes legítimos da presidente Dilma são tão grandes que é indispensável que ela tenha que prestar contas ao povo brasileiro, ao invés de guiar-se apenas pela apreciação pessoal de sua própria liderança. A presidente deve transmitir os fatos, sem maquiar dados, e mostrar quais são as opções, para que o povo possa julgá-las de acordo com seus padrões e aspirações.

Nossa presidente deve dizer a verdade e respeitar a lei. Se ela se comportar dessa forma, nosso país poderá ser saudável e seguro. A nação precisa vencer desafios sem violência e ódio.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor

Últimas de Opinião