Editorial: Diagnósticos da paralisia pós-temporal

Não pode uma cidade que se diz olímpica ficar refém dos humores do tempo e impedir o deslocamento de milhares

Por O Dia

Rio - Pela segunda vez em menos de uma semana, vias importantes da cidade pararam por causa da chuva. A tempestade que se abateu mais severamente sobre a Zona Sul foi apenas uma fração do dilúvio do sábado, quando praticamente todo o Rio de Janeiro parou. Se a intensidade da intempérie de ontem foi menor, por que se observaram os mesmos problemas de imobilidade urbana?

Não pode uma cidade que se diz olímpica ficar refém dos humores do tempo e impedir o deslocamento de milhares. Apesar de chuvaradas no Rio a cada março serem tão previsíveis, o volume que cai neste verão é atípico.

Não importa se por obra do El Niño ou da Zona de Convergência: é fundamental entender os pontos sensíveis que levam a enchentes e ao prejuízo. Piscinões pouco podem fazer se há um mar de lixo obstruindo galerias. Bolsões tão antigos quanto Estácio de Sá resistem, sem que obras consigam dar jeito. Muito se avançou nas encostas, o que salva vidas, mas é preciso ir além. É um atraso padecer na chuva.

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