Editorial: Câmara alheia a indignações

Se há tamanha grita — legítima, é bom frisar — porque um investigado tenta ocupar um ministério, porque se calam diante de um réu que insiste em presidir a Câmara?

Por O Dia

Rio - É direito manifestar-se contra a nomeação de Lula para a Casa Civil, medida no mínimo questionável por chamar mais atenção como gatilho jurídico do que tacada estrutural. Mas deveria ser dever indignar-se com um absurdo que se passa na Câmara dos Deputados.

Se há tamanha grita — legítima, é bom frisar — porque um investigado tenta ocupar um ministério, porque se calam diante de um réu que insiste em presidir a Câmara — e está em terceiro na linha sucessória da República? Eduardo Cunha, inimigo figadal do Planalto e envolvido em escândalos de grosso calibre, segue sem arredar pé. Mais: espreme cada vírgula do Regimento em benefício próprio. Mas parece haver vista grossa para isso.

Agora o silêncio fica mais ensurdecedor porque corre, em notável celeridade, o rito do impeachment, movido por muitas interpretações e ainda poucas provas. Sem economizar esforços, Cunha abre até sessões, inéditas, às sextas e segundas. O Brasil tem muitas aberrações. Esta é uma delas.

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