Fernando Scarpa: Brasil, um país golpeado

O tesoureiro e costureiro da crise está solto, ministro não precisa ser, basta estar imune à Justiça comum

Por O Dia

Rio - Estamos divididos entre golpistas do impeachment e golpistas do PT que visam a permanecer no poder. A presidente foi eleita por conta das promessas de campanha. Não me recordo dela nos palanques dizendo que iria se aliar a outros partidos e saquear a Petrobras, o BNDES e Furnas, ou que reeditaria a CPMF, condenada no passado e indispensável para a retomada da economia no presente. Ninguém votou na atual política, resta a conclusão: fraudou os eleitores, prometeu e não cumpriu! Legal ou ilegal o grampo, ele revela a velha dinâmica: Dilma mente! Isso rima com demente! Ufa! Elegemos representantes legais crédulos no programa de campanha que esperamos se cumprir, caso contrário não há sentido o processo eleitoral que termina em golpe! Como gostam dessa palavra!

Vencer a corrupção é vencer o Diabo, nem Deus conseguiu — imagine a Lava Jato? A desordem fratura a existência. Brasileiros brigam com irmãos de pátria e sangue. Na internet e nos lares, conflitos acalorados reproduzem os mesmos das ruas. Impossível não creditar parte significativa ao PT, são 12 anos de poder. Não agiu sozinho, não há elenco de santinhos na política, o que se vê é mentira que encobre mentira que revela verdade: são mentirosos!

O que vai ser de nós? No desespero, penso que a Lava Jato arrisca se esvaziar na balela de que a segurança nacional foi abalada com a divulgação dos papos grotescos, dos foros privilegiados e da conversa fiada da Constituição rasgada. A segurança já foi para o brejo faz tempo, vide a violência nas ruas, a falta de escolas, a saúde pública, os direitos constitucionais básicos detonados, golpeados. É moderno dividir com o país aquelas intimidades!

A corrupção política aumentou o padrão de vida, a grana está curta, as contas no vermelho e o dinheiro de fora complicado. Eles estão duros! O salário só dá para o básico, restam acordos, aprovar CPMF, sacar as reservas cambiais, o PAC, aumentar a arrecadação. O tesoureiro e costureiro da crise está solto, ministro não precisa ser, basta estar imune à Justiça comum. É retomar alianças, organizar a quadrilha e dividir a ‘bufunfa’ chamada de dinheiro público que é nosso. Tudo dito na linguagem deles, com direito a privacidade no telefone; afinal, falta de decoro nas conversas pega mal em público. Vamos de golpe? “Lula, tô mandando o papel...”

Fernando Scarpa é psicanalista


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