Francisco José Ferraro Genu: Enquanto houver cavalo, São Jorge não anda a pé

A corrupção deve ser resolvida pelas instituições existentes, e não, como em qualquer republiqueta, via golpe

Por O Dia

Rio - Você quase não vinha dormindo, tomado de angústia pelas podridões do governo. “Roubou? Não roubou? Será que roubou? Claro que roubou!...” Porém, milagrosamente, aparece o juiz de Curitiba, todo vestido de preto, a ressuscitar o Zorro na luta contra o mal. Claro, agora você acorda aliviado, seu pijama já não fica encharcado de suor. E você sai feliz às ruas, vestido de verde e amarelo.

Porém, e se estiverem fazendo você de trouxa? Afinal, o que está em jogo é muito sério. De um lado, um pessoal que vem governando o Brasil — com mil trapalhadas, reconheço —, mas que ainda assim tenta, minimamente, trazer alguma justiça social, preservar os seus direitos. De outro, um grupo faz uso de pessoas indignadas como você para seus próprios objetivos. Basta ver que várias organizações patronais já se posicionaram pelo impedimento de Dilma. Esse pessoal busca lucros para poucos e nada para você, nadinha. Depois, eles alegarão que, se você tem toda a liberdade para buscar a sua sobrevivência, para que mais? E se você, assim como a maioria, não conseguir a sua sobrevivência, paciência, as regras são essas.

Exemplo: você sabe o que é reforma trabalhista? Você tem direito a coisas como férias e 13º salário. O que esse pessoal quer é que você não tenha mais nem uma coisa nem outra. E, ardilosamente, argumentam que isso aumentará o emprego, o que pode até ser verdade, mas por salários de R$ 200 (porque até o salário mínimo poderá ser extinto).

Cabe também comentar a diferença entre Estado de Direito e Estado Democrático de Direito. No primeiro, vale a lei, mesmo que injusta. No Império, a escravidão era legal. No Estado Democrático de Direito, a lei continua valendo, mas deve respeitar questões fundamentais à dignidade humana. O tal grupinho não se acanharia nem um pouco de riscar do mapa o ‘Democrático’.

Você vai fazer o jogo desse pessoal, dar tiro no pé? Ninguém aqui quer defender roubalheiras. Porém, a corrupção deve ser resolvida pelas instituições existentes, e não, como em qualquer republiqueta, via golpe. Você vai querer que seus filhos e netos se envergonhem de você, como ocorre hoje com muitos daqueles que, em 64, participaram da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”? Pelo sim, pelo não, volte a ler o título do artigo.

Francisco José Ferraro Genu é economista

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