Eugênio Cunha: Um abril solidário e azul

O Transtorno do Espectro Autista é distúrbio que apresenta déficits persistentes na comunicação e na interação social

Por O Dia

Rio - Hoje é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data escolhida pela ONU. Durante todo o mês de abril haverá eventos em diversas cidades do Brasil em prol dos direitos da pessoa com o transtorno. A mobilização nacional, que tem cor azul, porque nascem mais meninos que meninas com autismo, é resultado da luta de familiares, educadores e profissionais que abraçaram a causa.

O Transtorno do Espectro Autista é distúrbio que apresenta déficits persistentes na comunicação e na interação social, com padrões de comportamento restritos, repetitivos e estereotipados. Não há forma fixa para sua manifestação, o que traz incertezas que dificultam, muitas vezes, o diagnóstico. Tem demandado muitos estudos e indagações, mas permanece desconhecido da grande maioria da população.

Em 2012, foi sancionada a Lei Federal 12.764, instituindo a política de proteção da pessoa com o espectro. Com base na lei, foi inaugurada em Itaboraí a primeira clínica-escola pública do Brasil, que oferece de graça atendimento multiprofissional ao autista. Além do apoio familiar, a instituição assegura também apoio escolar àqueles que estão matriculados na rede comum de ensino.

Ainda é pouco, diante das necessidades e demandas provenientes de transtorno cuja taxa de prevalência tem crescido grandemente ano após ano. Ainda é pouco, num contexto em que crianças, adolescentes e adultos são discriminados e preteridos em diferentes espaços sociais. Ainda é muito pouco, diante do papel que se espera que o poder público exerça quando falamos de inclusão e quando é preciso corrigir erros do passado, que puseram à margem das políticas públicas pessoas com deficiência.

Por isso, é justa e digna a bandeira levantada por esse movimento de cidadania. Devemos apoiá-lo, se quisermos construir uma sociedade que tenha apreço pela universalidade dos direitos, outorgando-os igualmente aos seus entes. Como professor, que ensinou e ensina alunos com autismo, descobri que tenho muito mais a aprender que a ensinar.

Descobri que a convivência não se ensina, se aprende. Pois é nessa perspectiva de aprender a conviver com as diferenças, que nos tornamos mais semelhantes no amor e na solidariedade, estabelecendo as bases para a formação de uma sociedade inclusiva.

Eugênio Cunha é professor e jornalista

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