Jaguar: Quatro anos sem Millôr

Desde maio de 2013, como desejou em vida, está ao sabor das águas em frente ao ‘Largo do Millôr’, no Arpoador

Por O Dia

Rio - Millôr Fernandes morreu no dia 27 de março de 2012. Suas cinzas, que estavam guardadas no largo que leva seu nome, no Arpoador, junto ao Millôr de bronze do Chico Caruso, viraram mar. A foto é de Luiz Gravatá, seu melhor amigo, e agora guardião, com Ivan Fernandes, do legado que deixou.

Ninguém melhor que ele para contar a história: “Hoje (27 de março) faz quatro anos que Mestre Millôr se foi. Como o tempo passou, gente... Passou? Era ele mesmo quem dizia: ‘O tempo não existe, só existe o passar do tempo. Cada vez há mais mortos do que vivos. A ampulheta engole toda a areia do mar.’ Pois é. Pouca gente sabe, mas Millôr virou areia do mar. Desde maio de 2013, como desejou em vida, está ao sabor das águas em frente ao ‘Largo do Millôr’, no Arpoador.

Daqui a milhões de anos, esses siltitos farão parte de uma camada sedimentar que vai contribuir para a formação de uma imensa camada sedimentar que vai contribuir para formação de uma imensa cadeia de montanhas. É verdade! Na orogênese, com fantásticos movimentos tectônicos em geossinclinais, essa nova cadeia de montanhas será tão importante como hoje são os Alpes e os Andes. E Millôr lá estará firme, presente, com sua contribuição neoindividualista. Eu lhe dizia isso, e ele se divertia com a tese geológica...

'Largo do Millôr'%2C no ArpoadorLuiz Gravatá

Essas fotos foram tiradas num sábado, 4 de maio de 2013, no momento em que o guru do Méier começava a fazer parte desse processo orogenético. Um pôr do sol deslumbrante iluminava duas belas jogadoras de frescobol, esporte que foi um dos criadores. E juro que não estou mentindo: nessa tardinha, centenas de biguás inundaram o céu de Ipanema como a saudar o Mestre e um risco no céu, lindíssimo, apareceu para embelezar o pôr do sol. Yo no creo em brujas, pero que las hay, hay...” (é bom explicar que os termos técnicos se devem ao fato de Gravatá também ser geólogo). E, para enriquecer este sábado, presenteio o leitor com duas frases do nosso incomparável guru: “Dizem que o homem vem do macaco, mas alguns ainda estão vindo.” “Errar é humano. Botar a culpa nos outros também.”

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