Wilson Diniz: Cenário de país quebrado sitiado de canalhas

O governo distribui cargos e compra votos a preço de ouro dos congressistas para salvar Dilma

Por O Dia

Rio - O jornalista Gaudêncio Torquato diz que, de eleitor com barriga cheia e coração amolecido, o voto inconsciente é certo. Nelson Rodrigues afirmava que o brasileiro, “se não é canalha na véspera, é no dia seguinte”. Barão de Itararé, pioneiro no humorismo político do jornalismo brasileiro em suas tiradas, disse que “há algo no ar, além de avião de carreira”.

A frase de Torquato se encaixa no momento político do país. O “voto inconsciente” decorre dos programas sociais — como o Bolsa Família, que contempla mais de 14 milhões de brasileiros — e pode ser observado nos ‘Bolsas da Cultura’ que financiam artistas em decadência. Essa classe defende a manutenção no poder de uma falsa esquerda que colocou o país no banco dos réus e sem esperança, com milhares de pais de família com a carteira de trabalho na mão, suplicando a Deus, nas igrejas, ajuda para conseguir um emprego.

A frase de Nelson fotografa a realidade ‘surreal’ do Congresso e da cúpula petista, que governa o país com bandeiras da falsa esquerda. Saquearam os cofres da nação e querem continuar imunes às leis, desestabilizando as instituições e o Estado de Direito. O debate não passa por golpe ou por impeachment previsto na Constituição, mas de aplicação do Código Penal para aqueles que cometeram crime.

Barão também nos leva a repensar a Brasil de hoje que será colocado em julgamento, quando o impeachment for para Plenário para votação na Câmara dos Deputados, onde a oposição precisa de 342 votos e mais de 50% no Senado para cassar o mandato da presidente.

A Petrobras está quebrada, com dívida impagável de R$ 502 bilhões; a Odebrecht, devendo R$ 90 bilhões, liquida suas empresas. Bancos estão provisionando em seus balanços os calotes das construtoras, o que pode levar a séria crise de liquidez. O governo distribui cargos e compra votos a preço de ouro dos congressistas para salvar Dilma. O Brasil virou balcão de negócios comandado por turma de canalhas.

Se o impeachment não passar, o Brasil está quebrado. O dólar vai ao espaço. O jeito é esperar o dia 15, quando o impeachment será votado. Ainda nos resta a esperança de ter uma nação com perspectivas de retomada do emprego e de estabilidade institucional com os mafiosos na cadeia.

Wilson Diniz é economista e analista político

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