Nelson Vasconcelos: Tá doente? Relaxa. Isso passa

As doenças só acometem um tipo de pessoas: aquelas que estão vivas

Por O Dia

Rio - Por ordens médicas, este colunista anda meio desligado do mundo. Bom por um lado, mas não é o ideal. Os livros têm me salvado, como sempre, só que acabo ficando sem assunto sobre o cotidiano. Por isso, hoje, excepcionalmente, vou falar de algo sem graça: eu. Em geral, prefiro ficar na periferia da notícia, e não no centro dela. Mas, desta vez, talvez meu caso renda uma reflexão.

Pois... Há cerca de cinco semanas foi detectado um tumor no meu rim esquerdo. Foi por acaso. Eu estava investigando outro pedaço das tripas quando a ultrassonografia flagrou um monstrinho de 3,5 centímetros no rim. Um câncer ainda pequeno e, por isso mesmo, daqueles que não dão sinal de vida (ou de morte).

Pelos cálculos do Dr. Victor (santo homem), ele estava pastando por aqui há uns dois anos e meio. Veja você que danado, bem quietinho, só à espera do ataque. Não, meu mundo não caiu, e juro de pés juntos que sabia, desde o primeiro momento, que tudo se resolveria logo, como de fato se resolveu. Hoje estou de rescaldo. No fim, tornou-se apenas mais um contratempo, atrasando alguns projetos. Mas sou botafoguense. Não desisto nunca.

Se falo de mim aqui, portanto, não é para que lamentem a minha sorte (em qualquer sentido). Falo apenas porque as doenças só acometem um tipo de pessoas: aquelas que estão vivas. E pode ser que, neste momento, alguma ziquizira cabeluda esteja corroendo seu vizinho, sua vó ou você mesmo, e ninguém esteja percebendo nada.

O recado, então, é este: cuide-se. Sem desespero, cuide-se. Nunca pensei que fosse escrever isso, mas não fuja de médicos, alimente-se bem e faça exames periódicos. E perca peso, exercite-se. Dããã. Todo mundo sabe disso. Mas, dããã, todo mundo sabe também que o Eduardo Cunha é uma célula podre do Congresso, e não param de alimentá-lo.

Para não dizer que não falei de livros, a sugestão é "Doenças como metáfora", da Susan Sontag . Eu o li há muitos e muitos anos, e dele ficou um recado importante: não fuja da doença, não se cale a respeito dela, e muito menos se deixe estigmatizar por ela. Além de emburrecer, o preconceito mata.

Email: nelson.vasconcelos@odia.com.br

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