Por felipe.martins

Rio - Movimentos sociais de todo o Brasil se empenharam até o último instante na luta contra o golpe na Câmara dos Deputados. Perdeu-se uma batalha muito importante, com o atropelo da Constituição e da soberania popular, mas ainda há muita luta pela frente. O ‘show do impeachment’ revelou com nitidez ao Brasil e à comunidade internacional quem é quem nessa ‘insurreição dos hipócritas’ — título com o qual a revista alemã ‘Die Zeit’ classificou a votação na Câmara dos Deputados. Mais uma lição de 7 a 1 dos alemães, que compararam o ato também ao Carnaval.

Mais de uma centena de deputados, que ainda ontem eram governistas, muitos deles alvos de processo de corrupção, se aliaram à oposição, a um traidor e a um deputado comprovadamente corrupto, na esperança de que, derrubando a presidenta Dilma Roussef, contra quem não pesa nenhuma acusação de corrupção, as investigações da Lava Jato desapareçam.

No Senado, porém, a base do governo pode ser mais consistente. Ademais, na Câmara Alta da República, o debate constitucional tende a ser mais elevado, o que pode expor mais claramente o caráter burlesco desse processo de impeachment. No Senado, a disputa deverá ser mais parelha, pois, pelo resultado do trágico domingo, percebeu-se que o governo Dilma tinha uma base muito frágil na Câmara.

Além da luta no Senado, ainda há a vigorosa luta nas ruas, com os movimentos sociais, de diferentes matizes, e com os partidos do campo da esquerda, unificados na defesa do Estado Democrático de Direito. A opinião pública internacional está com os olhos voltados para o Brasil, estarrecida com a tentativa de deposição da presidenta Dilma, sem fundamento constitucional. Não se reconhece, por óbvio, legitimidade na condução desse movimento por Eduardo Cunha, que responde a vários processos no STF por corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes; nem se reconhecerá nenhum governo da República que não tenha sido chancelado pelo sufrágio universal.

Definitivamente, o Brasil começa a virar piada aos olhos do mundo, pelo espetáculo deprimente dos golpistas. O golpe segue o seu curso, mas será contido! A democracia prevalecerá!

Waldeck Carneiro é deputado estadual (PT-RJ)

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