Por adriano.araujo

Rio - Pecar significa desprezar o amor verdadeiro por Deus e pelo homem, desrespeito à razão e à consciência reta, expressão de apego perverso a algum bem ou interesse individual em detrimento do bem de todos, da solidariedade e da justiça. O pecado ofende a Deus e a dignidade do homem e se realiza por pensamento, palavra, ato, omissão ou desejo contrário às leis divinas. O pecado mortal é muito grave, praticado com plena consciência e sob propósito deliberado, e os pecados veniais, embora pareçam de menor importância, se cometidos frequentemente também conduzem ao abismo e às trevas. Diz o livro do Eclesiástico, “quem despreza as coisas pequenas pouco a pouco cairá” até se afogar nas águas terríveis do pecado mortal.

O Papa Bento XVI desviou-se das Escrituras e dobrou o número de pecados mortais, adicionando aos originais – orgulho, inveja, glutonaria, cobiça, luxúria, ira e preguiça – mais sete pecados do mundo contemporâneo: poluição , engenharia genética, riquezas obscenas, drogas, aborto, pedofilia e injustiça social. A prática do pecado mortal, se não houver arrependimento, leva ao castigo eterno.

Recentemente, com rostos expressando culpa por terríveis pecados mortais, executivos japoneses publicamente pediram desculpas por, após 25 anos, aumentarem o preço de seus picolés em R$ 0,35. Fantásticos os valores e a cultura japonesa. Como em todo o mundo, também há corruptos no Japão, mas, se descobertos, não negam o óbvio, nem se escondem em hábeis advogados; não culpam mídias, nem heranças malditas. Assumem seus erros, pedem desculpas e curvam-se em sinal de respeito. Independentemente das sanções legais, empresários deixam seus negócios e políticos e autoridades públicas renunciam a seus cargos. Alguns infratores sentem-se tão pecadores que solicitam dispensa das funções suicidando-se, como Matsuoka, deputado e Ministro da Agricultura.

Como seu comitê eleitoral recebera milhões de ienes de empreiteiras favorecidas em licitações fraudulentas, desonrado e envergonhado diante da família e dos valores japoneses deixou uma carta: “Estou dolorosamente consciente de minha responsabilidade como ministro. É meu dever que tal ato não se reproduza”. E enforcou-se com uma coleira de cachorro. Perdoai, Senhor, meu pecado mortal: que inveja do Japão!

Ruy Chaves é diretor da Estácio e da Academia do Concurso

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