Eduardo Alves: O Congresso é o espelho da sociedade brasileira?

Lamentavelmente a maioria esmagadora não sabia se estava em uma sala de estar, em um palanque eleitoral ou na igreja

Por O Dia

Rio - O dia 17 de abril de 2016 já está registrado na história do Brasil. Várias pessoas que acompanharam pelas telas a votação na Câmara não acreditavam que se tratava do principal espaço do Estado com representação das diferenças políticas da sociedade. Longe disso. Registrou-se fotos desqualificadas com legendas toscas do tipo “tchau, querida” ou com apologia à tortura.

Os olhares, em nível mundial, também registraram fotos desfocadas. O ‘The New York Times’ apresentou matéria afirmando que o vice-presidente impopular que, segundo pesquisas, teria apenas 2% dos votos, se preparara para governar. O mesmo jornal afirmou que a Câmara estava mais para jogo de futebol do que para tomar uma decisão política fundamental.

‘El Pais’, da Espanha, criticou a maioria dos deputados: “Deus derruba a presidente do Brasil”. ‘The Guardian’, do Reino Unido, afirmou que nada está claro na crise política brasileira e, utilizando o termo golpe, afirmou que o impeachment é uma tragédia e um escândalo. Isso sem contar com o vídeo divulgado pela CNN, dos EUA, que obteve ampla circulação na internet.

O Brasil, maior país da América Latina, se apequenou. O que se registrou foi a baixa qualidade e a inexistência do debate político entre as diferentes posições. Lamentavelmente a maioria esmagadora não sabia se estava em uma sala de estar, em um palanque eleitoral ou em uma igreja.

No Brasil há 35 partidos registrados e 26 possuem representação na Câmara. Na eleição de 2014 esses parlamentares obtiveram 68,3% de votos válidos, enquanto os votos válidos para presidente foram de 73,9%. Dilma obteve mais de 54 milhões de votos, 51,64%. Já com os congressistas não é assim que ocorre. Um partido precisou de 29.762 votos para eleger um deputado federal em Roraima e 303.803 para eleger um em São Paulo.

A Câmara, com seus 513 parlamentares de todos os estados, deveria ser o principal espaço com representação da diversidade política do país. Será que o Congresso representa a diversidade de classes, etnias, rendas, territórios, sexos, orientações sexuais, projetos políticos ou quaisquer outras? Precisa-se responder essas e outras para se avançar na superação das desigualdades e na democratização da sociedade.

Eduardo Alves é diretor do Observatório de Favelas

Últimas de Opinião