Por felipe.martins

Rio - A Campanha da Fraternidade escolheu o tema da Misericórdia para a reflexão dos cristãos e o Papa Francisco tem clamado nesse mundo onde o ódio e a discriminação tem morada por mais sensibilidade e acolhimento para todos os irmãos excluídos. 

A Igreja deu as costas para diversos segmentos que Cristo havia acolhido. Naquela época eram os odiados cobradores de impostos, os operários sem cultura, as mulheres violentadas. Hoje o Papa abre os braços para receber de volta os divorciados, os gays, os deserdados de seus países de origem, os refugiados. Nada é mais cristão que o acolhimento aos bem-aventurados do Sermão da Montanha.

Assim, o Papa pede que se tenha maior acolhimento às novas modalidades de famílias não tradicionais, reafirma a dignidade de toda pessoa, independentemente da própria orientação sexual. Vai em direção à Cuba e dos EUA, tradicionais inimigos que se prejudicam mutuamente há quase 50 anos e os convida ao diálogo, com sucesso. Dialoga com os irmãos das mais variadas culturas religiosas e pede perdão aos judeus por séculos de tratamento preconceituoso.

Esse é o exemplo de bem-aventurança que devemos ansiar. Somos uma única raça, humana, e não podemos viver sem respeitar nossas diferenças. O reconhecimento de todo “sinal de amor” como instrumento legal que traduz o afeto como sinônimo de união entre as pessoas é um dever de todo cristão. É sem dúvida um avanço de há muito desejado que todo cristão, independentemente de sua forma de amar, seja acolhido pela Igreja. Se o maior de todos os mandamentos é o amor, essa deve ser a liga que nos une como seres humanos que somos.

Lembrar, em época de coxinhas e mortadelas, que isso tudo é muito pequeno para nos separar, devemos cultivar o amor e a alegria de viver como nossa filosofia para construir uma pátria mais unida e poderosa, onde tudo nos una e nada nos separe quando o amor estiver presente em nossas relações. Afinal são bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça; os pacificadores, os que sofrem perseguição, os que são injuriados e as vítimas de mentiras, os pobres de espírito, os que choram e os que são mansos.

Siro Darlan é desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro


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