Luís Pimentel: Millôr entre os dez melhores

Homem de letras, de teatro, da vida e do pensamento, Millôr Fernandes ocupou espaços nobres na imprensa brasileira

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Como se sabe, vivemos tempos sem graça. Mas como nem tudo está perdido, o Instituto Moreira Salles (cartão-postal da arte e da cultura cariocas) nos dá um refresco e mantém em cartaz exposição com cerca de 500 desenhos e ensaios gráficos de Millôr Fernandes – maior humorista carioca e brasileiro em produção e tempo de estrada.

Há tempos, enquanto preparava um livro chamado ‘10 brasileiros nota 10’ (lançado pela Editora Moderna), pedi a amigos que relacionassem dez brasileiros geniais. Em todas as listas aparecia, entre os nomes, esse com meia dúzia de letras, resultado de interpretação da caligrafia tosca na certidão de nascimento: Millôr. O maior ídolo dos humoristas brasileiros (juntamente com o Barão de Itararé), para quem escrever e desenhar parecia muito fácil.

Um dos responsáveis pela criação do semanário ‘O Pasquim’, melhor experiência com o jornalismo de humor e de ideias que já vimos, Millôr teve infância das mais difíceis. Millôr ficou órfão de pai com menos de um ano de vida, e com menos de 10 perdeu a mãe. Ambos mortos com apenas 36 anos de idade. Estudou em escolas públicas e foi formado, como ele mesmo escreveu, “pela universidade do Méier”) ao lado de seus três irmãos – um deles, o também jornalista Hélio Fernandes.

Millôr estreou na profissão com 14 anos, na revista O Cruzeiro, onde fez de tudo o que se pode imaginar dentro de uma redação. Começou como contínuo e, ao abandonar a publicação, homem feito e jornalista dos mais respeitados, deixara criações marcantes como as colunas Vão Gôgo e Pif-Paf, embrião da revista quinzenal com o mesmo nome, lançada no dia 15 de maio de 1964, um mês e meio depois da revolução, e que durou oito edições.

Homem de letras, de teatro, da vida e do pensamento, Millôr Fernandes ocupou espaços nobres na imprensa brasileira. Teve coluna aqui no Dia, na ‘Isto É’, em ‘Veja’, em ‘Bundas’ e no ‘Jornal do Brasil’, sempre escrevendo e desenhando. Tradutor brilhante, deixou mais de 50 livros publicados e em 1994 nos legou uma obra definitiva, ‘A Bíblia do caos’, reunindo mais de 5 mil registros em texto do genial e “irritante guru do Méier”.

Luís Pimentel é jornalista e escritor



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