Por thiago.antunes

Rio - A crise parece estar longe do fim. A insegurança é predominante diante de uma economia parada e desemprego crescente, ultrapassando a casa de 10 milhões de pessoas fora do mercado formal. Um momento de insegurança, no qual os jovens estão sem oportunidade, os mais experientes sendo dispensados por serem caros. Um cenário catastrófico em meio à crise ética e política.

Os menos favorecidos acabam numa zona mais nebulosa, na qual os jovens tornam-se “iscas” da criminalidade. Sem renda e sem o básico, como saúde e educação de qualidade, a realidade fica mais cruel para todo o núcleo familiar. E para aqueles ainda sem maturidade o risco é o dobro.

Mesmo com as novas tecnologias a favor da liberdade de expressão, vivemos falsa democracia, onde falamos, mas pouco somos ouvidos. Demos passos para trás no que diz respeito à vida humana e à consciência de coletividade. E dificilmente mudaremos esse quadro se continuarmos sem priorizar a educação e cidadania.

Há muita indignação, porém é muito pouco. Somos vítimas de um sistema perverso devido a nossa permissividade nas urnas. Afinal, num país com mais de 200 milhões de habitantes, uma significativa parcela que vive de forma miserável. É inadmissível! De 2015 pra cá, a nova classe média voltou para o lugar de antes, não de acesso aos supérfluos, mas do básico para a sobrevivência digna.

Voltou, então, o desemprego e a falta de dinheiro. O carrinho do mercado vazio e a angústia de torcer para as compras chegarem até o fim do mês seguinte. A inflação está voraz como há muitos anos não víamos. 

E, claro, todo esse cenário de incerteza começa a abalar a saúde mental dos brasileiros. Segundo psicólogos, a crise financeira está associada ao medo da incapacidade do sustento básico e a impossibilidade de ter ou manter o padrão de vida, atingindo assim em cheio a autoestima.

Além, de contribuir para o aumento da ansiedade, passando pelos sintomas depressivos e pelo estresse. Parece que estamos em dois países. Um que ostentou as arenas para a Copa e todo o gasto para a Olimpíada, com vultosos recursos do governo federal. E outro de um povo sem grana, emprego e dignidade.

Um cenário que é um verdadeiro crime para um povo considerado um dos mais alegres e receptivos do mundo.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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