Carlos Alberto Rabaça: Lição de ineficiência na educação brasileira

A falta de sintonia entre a realidade econômica e o conteúdo ensinado empurra o jovem para fora da sala de aula

Por O Dia

Rio - Entre os incontáveis, cruéis e teimosos sinais de atraso do Brasil, um chega a ser desesperador: em pleno século XXI, o país ainda não tem um eficiente Ensino Fundamental, estagnado em baixo patamar de qualidade e ignorado por políticas públicas. Assim, a “pátria educadora” – slogan do governo – continua com péssimas notas nas principais avaliações do ensino no país. Treze milhões de alunos estudam numa etapa que está muito aquém do exigido pelas demandas sociais. Não há política governamental para o aprimoramento dessa fase da educação básica, carência reconhecida pelas famílias e por especialistas.

Excesso de disciplinas, que não se relacionam entre si e muito menos com a vida do aluno, é falha do ciclo mais negligenciado. A falta de sintonia entre a realidade econômica e o conteúdo ensinado empurra o jovem para fora da sala de aula. Muitos estudantes abandonam a escola nessa fase por desconexão com as disciplinas e falta de estímulo. Focadas na alfabetização ou na última etapa, políticas públicas esquecem o miolo do ensino básico, que recebe alunos espremidos entre a infância e a adolescência, perdidos com novos conteúdos e rotinas. É necessária também a mudança na formação de professores do ensino básico, hoje desvalorizados socialmente.

Chegamos ao nosso tempo sem um consenso sobre o que se deve aprender a cada ano em cada disciplina. A principal razão para tão profundo atraso é de cunho ideológico. Temos o mau hábito de mudar a orientação pedagógica a cada troca de governo. Enquanto isso, o Brasil perde posições no ranking de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e amarga a sexagésima posição entre 76 nações. 

Na educação fundamental, esperanças se esvaem em frustrações que contaminam a sociedade. A maioria dos municípios não tem capacidade para investir nas escolas e no treinamento de professores. O dinheiro está com a União. No entanto, estados e municípios concentram 86% das matrículas do Ensino Fundamental. Não há políticas governamentais suficientes para o aprimoramento dessa fase da educação, uma carência que é reconhecida até por gestores públicos da área. Essa é nossa triste realidade num momento em que o país atravessa grave crise institucional.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor



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Carlos Alberto Rabaça: Lição de ineficiência na educação brasileira

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Rio - Entre os incontáveis, cruéis e teimosos sinais de atraso do Brasil, um chega a ser desesperador: em pleno século XXI, o país ainda não tem um eficiente Ensino Fundamental, estagnado em baixo patamar de qualidade e ignorado por políticas públicas. Assim, a “pátria educadora” – slogan do governo – continua com péssimas notas nas principais avaliações do ensino no país. Treze milhões de alunos estudam numa etapa que está muito aquém do exigido pelas demandas sociais. Não há política governamental para o aprimoramento dessa fase da educação básica, carência reconhecida pelas famílias e por especialistas.

Excesso de disciplinas, que não se relacionam entre si e muito menos com a vida do aluno, é falha do ciclo mais negligenciado. A falta de sintonia entre a realidade econômica e o conteúdo ensinado empurra o jovem para fora da sala de aula. Muitos estudantes abandonam a escola nessa fase por desconexão com as disciplinas e falta de estímulo. Focadas na alfabetização ou na última etapa, políticas públicas esquecem o miolo do ensino básico, que recebe alunos espremidos entre a infância e a adolescência, perdidos com novos conteúdos e rotinas. É necessária também a mudança na formação de professores do ensino básico, hoje desvalorizados socialmente.

Chegamos ao nosso tempo sem um consenso sobre o que se deve aprender a cada ano em cada disciplina. A principal razão para tão profundo atraso é de cunho ideológico. Temos o mau hábito de mudar a orientação pedagógica a cada troca de governo. Enquanto isso, o Brasil perde posições no ranking de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e amarga a sexagésima posição entre 76 nações. 

Na educação fundamental, esperanças se esvaem em frustrações que contaminam a sociedade. A maioria dos municípios não tem capacidade para investir nas escolas e no treinamento de professores. O dinheiro está com a União. No entanto, estados e municípios concentram 86% das matrículas do Ensino Fundamental. Não há políticas governamentais suficientes para o aprimoramento dessa fase da educação, uma carência que é reconhecida até por gestores públicos da área. Essa é nossa triste realidade num momento em que o país atravessa grave crise institucional.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor



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