Por felipe.martins

Rio - O maior interesse da população pela personalidade e caráter de Michel Temer deve somar-se à consciência da necessidade de reformas institucionais. As instituições – o Congresso, os partidos, o Supremo e a imprensa – são imprescindíveis para tornar a conduta presidencial condizente com os ideais democráticos. Os problemas são desafiantes. As injustiças sociais, a corrupção do governo, o poder excessivo das grandes empresas privadas, a tentativa de esvaziar o Ministério Público, tudo isso deve ser encarado de frente.

Hoje sabemos que em uma era de instituições gigantescas e despersonalizadas, muitos cidadãos estão frustrados e confusos com a corrupção e a incapacidade governamental de atender as suas necessidades vitais. Sofremos de alienação em meio à riqueza, de desintegração dos conceitos de honestidade e moralidade política e de um declínio considerável na qualidade de vida de faixa expressiva da população.

Urge a decisão de fazer as reformas necessárias com a exigência de que elas sejam executadas responsavelmente. O Congresso, em particular, deve assumir papel mais atuante, não só na fiscalização dos atos do Executivo, mas na formulação de programas relevantes para o país. Para que essas mudanças institucionais e psicológicas sejam possíveis, é preciso que o Parlamento esteja disposto a colaborar. Na verdade, precisamos de uma reforma política, tão importante quanto a da Presidência.

Como chefe do governo, Temer deve ter como objetivo restabelecer a responsabilidade do poder, sem a qual será impossível reconquistar a confiança do povo. Ela só pode existir através de relação honesta e dinâmica entre um presidente forte, um Congresso honesto e um povo informado, disposto a enfrentar os problemas internos e externos com espírito de justiça e retidão.

Preservar e fortalecer a unidade federativa é o mais importante. E para restaurar a responsabilidade no governo, a primeira tarefa deve ser a reabertura da comunicação entre o presidente e o povo. Necessitamos de um presidente que seja forte, capaz de liderar sem impor e sem mentir. Colhemos, ainda, os frutos amargos de uma falha fundamental na responsabilidade da presidente Dilma. Precisamos, agora, restaurar essa responsabilidade, para assegurar o sucesso do novo governo.

Carlos Alberto Rabaça é sociólogo e professor


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