Por cadu.bruno

Tenho lido vários artigos jornalísticos e científicos sobre o ensino individualizado e visitado várias escolas que desenvolvem esse modelo. Em síntese, a ideia é respeitar o ritmo e interesse de cada aluno através de métodos sócioindividualizados, com o apoio da tecnologia. Essas incursões têm me levado a pensar na estrutura da escola ao longo do tempo.

A escola como se conhece hoje não possui mais do que 150 anos. É um modelo educacional do final do século XIX. Época em que o processo capitalista de produção necessitava, por um lado, que os trabalhadores tivessem conhecimento técnico padronizado, por outro, fazer um controle ideológico das massas.

O modelo em que uma pessoa (o professor) fala ao mesmo tempo para várias pessoas enquadrou-se perfeitamente nessa situação. Assim surgiu a escola moderna, tendo como papel uma grande contradição: ser ao mesmo tempo espaço de superação, de evolução e, na contramão dessa tarefa, ser espaço de reprodução e controle ideológicos..

A escola, porém, não foi sempre assim. O modelo antes da Revolução Industrial era o de uma escola com turmas heterogêneas e pequenas, nas quais o professor ensinava um a um em sua mesa. Os alunos sentavam em grupos e os mais adiantados ajudavam os que tinham mais dificuldades. Estamos falando de uma escola que respeitava as diferenças individuais, exatamente a escola que buscamos resgatar.

Em todas as escolas de ensino individualizado, três atitudes são comuns: individualizar, diferenciar e personalizar o ensino. Embora parecidos, esses três conceitos são complementares na escola que almejamos. Individualizar significa identificar as necessidades específicas de cada aluno e propor atividades que façam sentido para cada um. Diferenciar se refere a reunir grupos de alunos com os mesmos interesses em torno de atividades comuns. A personalização caracteriza-se pela possibilidade de o aluno escolher que pontos do assunto quer aprofundar e construir seu projeto em torno de seu interesse pessoal.

A tarefa mais difícil é fazer com que os professores rompam com as crenças que o ensino de massa tão eficazmente construiu. Colocar a mão na massa e olhar para trás são excelentes propulsores dessa mudança.

Júlio Furtado é professor e escritor

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