Por adriano.araujo

Rio - Em 1846, o médico húngaro Ignaz Semmelweis fez uma descoberta, aparentemente simples, mas de uma importância inestimável para a medicina. Observou que o índice de mortalidade materna era muito mais alto na enfermaria obstétrica atendida por médicos do que a assistida por parteiras. A explicação estava ao alcance das mãos. Ao perceber que os colegas, após as autópsias, carregavam para a enfermaria odor desagradável, propôs a lavagem das mãos antes das consultas. No mês seguinte, a mortalidade entre gestantes caiu de 12,2% para 1,2%.

Atualmente, a data de hoje é marcada como Dia Nacional de Controle da Infecção Hospitalar. A Organização Mundial de Saúde prevê que a mortalidade decorrente das infecções hospitalares poderia ser reduzida em 50%, caso houvesse a preocupação dos profissionais com a higiene das mãos.

Neste cenário, cresce em importância o papel das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs) nas unidades de saúde. São equipes multidisciplinares que executam uma série de ações, que variam da padronização de medicamentos até a implantação e manutenção dos procedimentos de vigilância epidemiológica.

No âmbito das unidades federais no Rio de Janeiro, coordenadas pelo Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde, essas comissões, além de realizarem o monitoramento constante nas enfermarias, nos Centros Cirúrgicos, nos Centros de Tratamento Intensivo e nos setores de emergência aberta, também trabalham na sensibilização dos colegas, com a realização de cursos de capacitação.

As comissões das unidades federais integram uma câmara técnica, que atua na padronização de insumos, medicamentos, protocolos de prevenção e tratamento, cirurgias e rotinas desenvolvidas nos hospitais e institutos.

Passados 176 anos da observação do médico húngaro, é natural que as medidas de controle tenham evoluído. Mas não podemos esquecer que as bactérias, principais responsáveis pelas infecções hospitalares, estão cada vez mais resistentes. O Dia Nacional de Controle da Infecção Hospitalar é uma boa oportunidade para se refletir sobre a questão, valorizando e intensificando o trabalho das comissões dentro de todas as unidades de saúde.

Lilian Leite é assessora de Gestão Hospitalar do Mininstério da Saúde

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