Wilson Diniz: Drama da Educação estadual

A Educação tem que ser prioridade, mesmo com o orçamento com déficit crônico

Por O Dia

Rio - O comando da Secretaria de Educação está em turbulência com greves de professores e alunos invadindo escolas em protestos pela falta de recursos. O caos coloca o secretário no centro do debate quando as finanças do estado estão em crise decorrente da queda dos repasses dos royalties do petróleo.

Ao assumir, Wagner Victer ocupou a mídia durante os dois primeiros dias tentando passar otimismo. No entanto, em época de profunda recessão, todos pagam o preço da crise. Porém, a Educação tem que ser prioridade, mesmo com o orçamento com déficit crônico.

Aconselho o secretário a recorrer ao pensamento do ex-reitor da Universidade de Harvard Derek Bok: “O governante que diz que não tem dinheiro para a Educação é porque não sabe o preço da ignorância.” Malala Yousafzai vai mais longe: “Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.”

Organismos internacionais comprovam que os brasileiros sem boa qualificação terão dificuldades de conseguir trabalho. Administrar a Educação é ter visão multidisciplinar de todos os municípios. É conhecer a vocação econômica e como prefeitos destinam receitas para a Educação investindo num projeto de cidadão do futuro.

Municípios que sofrem os efeitos da ‘Doença Holandesa’ (crise do petróleo), como Campos e Macaé, que não otimizaram as receitas dos royalties quando o preço do barril bateu 100 dólares, são referências para análises. Em Campos, de 2010 a 2014, os gastos chegaram a R$ 13,2 bi e as despesas com Educação, apenas a R$ 1,87 bi (14%).

Como consequência, os indicadores de desempenho do ensino estão entre os piores do estado, no município que arrecada R$ 2,5 bi por ano. Em Macaé, os gastos são de 20%, com arrecadação de R$ 7,1 bi no período, mas as projeções superam o da cidade campista. Campos é um exemplo de genocídio educacional, decorrente da ‘Doença Holandesa’.

O secretário tem grandes desafios até 2018. Mas precisa olhar para o futuro dos jovens que serão jogados no mercado sem qualificação, num momento em que as tecnologias da informação são fundamentais. Políticos precisam ter em mente que despesas com Educação não são gastos, mas investimentos inadiáveis, na criança, no professor e em tecnologias. É o preço do seu drama, secretário?

Wilson Diniz é economista e analista político

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