Daniel Martins: Cidade precisa espantar a crise

São necessárias medidas urgentes para aquecer a economia, evitar o desperdício de dinheiro público e atrair investimentos

Por O Dia

Em meio à crise vivida pelo país e pelo Estado do Rio, a situação da capital fluminense pode ser considerada até privilegiada. A cidade continua com canteiros de obras em todas as regiões, os servidores e fornecedores estão recebendo em dia, e até dois hospitais estaduais em colapso foram absorvidos pela gestão municipal. No entanto, esse contraste pode acabar se não tomarmos medidas urgentes para aquecer a economia local, evitar o desperdício de dinheiro público e conseguir atrair investimentos de empresas.

O sucesso da Olimpíada pode inserir o Rio de vez no mercado internacional de grandes eventos. A imagem que a cidade passará a projetar a partir de agosto e a propaganda positiva que circulará pelo mundo têm condições de atrair outras competições esportivas, congressos, feiras ou lançamentos de filmes. Série de atividades promocionais que geram empregos e contribuem para a arrecadação de impostos teria efeito contra a recessão. Cabe aos órgãos governamentais, aos organismos representativos da iniciativa privada e às empresas não permitir que após os Jogos o vigor e fluxo de turistas se arrefeça.

A continuidade das obras públicas é outro fator importante para evitar que o município seja a bola da vez da crise. Importantes projetos precisam ter continuidade, como o BRT Transbrasil e o Porto Maravilha. O lançamento de um pacote de obras após as Olimpíadas evitaria que essa massa de operários que vem trabalhando na construção dos equipamentos do evento não vá para o desemprego.

Como o turismo é a atividade econômica com maior potencial, não podemos nos esquecer de estimulá-lo. Para isso, não adianta apenas embelezar a cidade, que já tem na paisagem seu principal atrativo.

Enquanto perdurar a violência, muitos possíveis visitantes vão continuar hesitando em vir ao Rio. Mesmo que a prefeitura não tenha a responsabilidade de cuidar da segurança, deve investir em programas sociais, sobretudo em áreas de UPP, que contribuam para a tarefa de pacificação e integre os marginalizados no sistema produtivo. Tenho confiança de que a crise vai passar, mas o estrago que ela fez já foi suficiente para mostrar que a cautela na expansão dos gastos públicos é bem-vinda, bem como a correta visão de planejamento estratégico.

Daniel Martins é Coordenador de Feiras da prefeitura

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