Fernando Scarpa: Brincadeira de criança

Um reviver inadequado da infância de adultos nas cadeiras do Senado, pagos pelo dinheiro supostamente público

Por O Dia

Rio - ‘Oh! que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais...’ A saudade e lembranças de uma época da vida, na inspiração de Casimiro de Abreu, junto à nostalgia da terra natal. Para outros, um reviver inadequado da infância de adultos nas cadeiras do Senado, pagos pelo dinheiro supostamente público, agindo como ‘enfants terribles’, sem limites e mal-educadas, atrapalhando a nação, obstinadas por um tempo que, espero, não volte mais!

A turma do ‘jardim de infância’, dos senadores inconformados com o andamento do processo de impeachment. Como crianças vestidas de adultos, não aceitam o fim da brincadeira, o término do recreio. Batem o pezinho, ficam vermelhos de raiva, não se dão conta do ridículo perante a nação. É aquilo: “Professora? Só mais cinco minutos?” É o princípio do prazer dominando a infância, adequado naquela época, agora não.

Choram a saída da Tia Vana do poder, nessa busca desesperada, é triste a conduta adotada, inadequada à função e ao lugar. Ocupados de questionar testemunhas que não dizem o que querem ouvir, as crianças levadas recorrem a pegadinhas para fazer valer a verdade que inventam e querem consignadas nos autos!

Não prospera, as testemunhas não estão brincando, a resposta vem certeira e técnica: desmontam a estratégia revelando a verdade odiada como castigo merecido para adulto que se faz de bobo. Assim como a criança testa nossa autoridade não aceitando o não como resposta, pedem perícia do processo.

Recorrem ao paizão, Lewandowsky, que usa capa preta mas não é o Batman, mais parece o diretor da escolinha. Imploram que façam valer suas vontades. A baixa resistência à frustração é evidente junto ao medo da punição com a partida de Vana.

De infância mesmo, só o comportamento sem limites. São adultos sob suspeita de corrupção. Diferentes de crianças, embolsaram milhões da nação. Por falar em infância, educação e falta dela, vale não esquecer que frustrações ótimas, na hora certa, fortalecem a criança. Já um excesso de facilidades estraga os meninos, deixa neles a falsa ideia de que a vida é fácil, não há punição e tudo é possível, basta querer! Mas a vida não é assim, e brincadeira de criança no Senado dá cadeia!


Fernando Scarpa é psicanalista

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