Wadih Damous: O desastre da política externa de Michel Temer

O governo golpista caminha entre a indignidade de fechar as portas e os olhos do Brasil para o drama sírio e falta de altivez em ficar novamente de joelhos perante Washington

Por O Dia

Rio - Uma das virtudes inquestionáveis do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi a política externa. A geopolítica brasileira se voltou para a África, ajudou no fortalecimento do Mercosul e dos Brics e teve, na América Latina e Central, um papel de liderança fundamental sem, contudo, se impor ou se valer da força ou arrogância.

O Brasil passou a ser respeitado pelas grandes potências mundiais e por todos os países em desenvolvimento. Esse legado, no entanto, está ruindo pela insensatez do governo golpista de Michel Temer e pela subserviência do lacaio José Serra, seu chanceler.

Dois fatos ilustram bem o desastre da atual política externa. O primeiro foi a denúncia do editor internacional da sede dos serviços em português da agência Xinhua (subordinada ao governo chinês), de que Temer, para conseguir o reconhecimento da “legitimidade” do governo interino, ficará mais próximo de Washington e manterá distância dos Brics (Brasil, Russia, Índia, China e África do Sul).

Ora, para além do enfraquecimento do Brasil no cenário mundial e do retorno ao complexo de vira-latas, é um acinte subordinar os interesses do país à conveniência do seu grupelho político.

Outra ação que envergonha o Brasil perante o mundo foi a suspensão da negociação com a Europa para acolher refugiados sírios. A política do governo Dilma fez com que, desde de 2013, mais de dois mil sírios chegassem ao país.

A iniciativa de solidariedade era considerada exemplar até pela Acnur, (agência da Organização das Nações Unidas para refugiados), mas o novo ministro interino da Justiça, Alexandre Moraes, segundo matéria da BBC, comunicou sua suspensão para assessores e diplomatas na semana passada.

Nem mesmo o fato de ter descendência árabe foi capaz de sensibilizar Temer para o drama da Síria. Assim, no cenário internacional, o governo golpista caminha entre a indignidade de fechar as portas e os olhos do Brasil para o drama sírio e falta de altivez em ficar novamente de joelhos perante Washington. 

Wadih Damous é deputado federal pelo PT

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