Wilson Diniz: Olimpíada e economia do Rio

A integração do metrô com o BRT é grande avanço social para as populações de baixa renda

Por O Dia

Rio - O economista americano Andrew Zimbalist, especialista em estudar efeitos de grandes eventos esportivos na economia, se engana ao comparar a Olimpíada do Rio 2016 com a Copa de 2014, que teve poucos reflexos na criação de empregos e de legado — como os estádios sem finalidade para outras realizações de impacto na economia local. O economista também se engana ao afirmar que os investimentos realizados para a Olimpíada não trazem visibilidade internacional nem fomentam o turismo.

O complexo olímpico, a começar pelos investimentos no Porto Maravilha, integrando a Praça Mauá até a Zona Oeste, criou ambiente favorável de infraestrutura para empreendimentos empresariais. A Olimpíada do Rio é incomparável a qualquer outro evento esportivo, dados a criação de emprego e os futuros negócios.

Andrew está equivocado quando afirma que o evento gerou déficit nas finanças do estado. O estrangulamento financeiro das finanças do governo estadual decorre de fatores de conjuntura internacional, como a queda dos preços das commodities e a escassez de royalties do petróleo no caixa do governo.

Se Zimbalist tivesse mais cuidado, não cometeria o engano nas análises dos números. Dos R$ 39,7 bilhões de investimentos no evento, R$ 16,8 bilhões são de recursos da prefeitura, e R$ 22,2 bilhões, do setor privado. Estudos também comprovam que o custo é 35% menor do que outros eventos realizados, como o de Barcelona.

O Rio é carente de investimento público e de integração urbana com logísticas de mobilidade urbana, situação exclusiva entre as sedes olímpicas. A integração do metrô com o BRT já é grande avanço social para as populações de baixa renda. Fosse cuidadoso, Zimbalist não cairia nas armadilhas dos discursos dos partidos de esquerda do Rio, que não olham com visão apartidária os efeitos do evento.

Na última eleição para prefeito, há quatro anos, Marcelo Freixo, em debate com Eduardo Paes, centrou suas baterias em críticas sobre priorizar os transportes de massa. Tanto o economista americano quanto Freixo são míopes em não perceber os efeitos multiplicadores de empregos na economia local.

Wilson Diniz é economista e analista político


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