Wilson Diniz: O que diz a CNI sobre Temer

A inércia dos indicadores de Temer e Dilma fotografa que os governos no campo político são exatamente iguais

Por O Dia

Rio - A última pesquisa CNI publicada sobre o desempenho de Temer, comparado ao de Dilma, mostra índices semelhantes após medidas que aumentam o déficit do governo, já estimado em R$ 170 bilhões. Chama atenção o fato de 44% dos entrevistados considerarem os dois governos iguais, mesmo com o aumento de gastos na ordem de R$ 125 bilhões com reajustes dos salários dos servidores (R$ 67 bi), negociação da dívida dos estados (R$ 50 bi), aumento do Bolsa Família (12%) e repasse de R$ 2,9 bi para o Rio. 

A inércia dos indicadores de Temer e Dilma fotografa que os governos no campo político são exatamente iguais nas mesmas práticas de políticas populistas de se manter no poder. O aumento do Bolsa Família e a ‘bolsa de renegociação’ das dívidas dos estados mostram que Temer tem equipe econômica, mas na prática utiliza os mesmo métodos para seduzir as oligarquias da base aliada para se manter no poder.

Outro indicador é o de expectativa com relação ao governo Temer com as medidas que estão sendo tomadas. Um quarto dos brasileiros considera que o governo será ótimo ou bom, e 32%, regular. Somando os dois índices, 56% consideram o cenário otimista, mesmo com as medidas amargas de Meirelles. Os índices têm explicação na queda da taxa de inflação, que está prevista para 4,5% como meta para 2017 e 2018. Para a população de baixa renda, o índice que tem mais influência para aceitação da popularidade de Temer um pouco melhor que a Dilma é a queda da inflação, num momento de queda dos salários reais e de alta taxa de desemprego.

Contribui para o desempenho de Temer a forma como ele está lidando com as pautas do Congresso e de sua capacidade de se comunicar com a sociedade, principalmente com os empresários dividindo responsabilidades e colocando o Meirelles para explicar as medidas de austeridade. A pesquisa CNI fotografa dois governos com os mesmos sintomas de um doente que no curto prazo não resgata os 11,5 milhões de desempregados.

Wilson Diniz é economista e analista político


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