Cláudio Magnavita: Paes, estamos todos no mesmo barco

O prefeito erra ao levar a sua cruzada moralista contra o estado em um jogo de mídia

Por O Dia

Rio - A coisa mais difícil na política é quando se resolve cuspir no prato em que comeu. A ingratidão é o sentimento mais rasteiro de um ser humano. A atitude do prefeito Eduardo Paes de mirar artilharia pesada contra o governo do estado é caso crônico de amnésia política. Foi exatamente como integrante do Guanabara que ele ganhou a sua grande janela, ao fundir Esportes com Turismo, mesmo contrariando o trade turístico, para dourar a pílula que serviu de trampolim para concorrer à prefeitura. Foi o mesmo governo que lutou para comprovar a sua desincompatibilização, garantir a legenda do PMDB a um político recém-saído do PSDB e garantir uma campanha robusta.

Foi também o sucesso na área de segurança, com as UPPs, com o mesmo comando que agora critica, que criou o cenário ideal à sua reeleição, infelizmente conquistada em primeiro turno, o que agregou um pedestal de vaidade do qual nunca desceu.

O caso da ingratidão fica ainda mais grave quando a sua artilharia, inclusive em entrevista internacional, tenta o impossível: afastar a sua imagem do combalido governo estadual.  Falar em falta de vergonha na cara é exatamente não ter vergonha de ser ingrato com seu passado. Aliados foram fundamentais para a conquista da Olimpíada. O trio Paes, Cabral e Lula foi o responsável para a conquista.

Roupa suja deve se lavar em casa, e o prefeito erra ao levar a sua cruzada moralista contra o estado em um jogo de mídia. Perdem o Rio, o estado e a cidade, incapazes de no plano externo promover a separação. Prefeitura e estado formam um único ente: Rio de Janeiro. Paes está dando um tiro no pé. A hora é de união e não de uma briga fratricida.

A crise do estado é de todos nós. Estamos no mesmo barco. Teremos um grave momento pós-olímpico, sem ajuda do governo federal ou de medidas paliativas. O governador em exercício, Francisco Dornelles, merece respeito, por estar carregando um pesado fardo, e o governador Pezão merece solidariedade pelo grave problema de saúde que enfrenta.

Já a incontinência verbal do nosso alcaide merece repúdio. O motivo eleitoral de descolar a sua imagem do Guanabara é motivo torpe, pequeno para justificar tanta agressividade. Perde o elã de estadista, que um dia poderia tê-lo colocado no Planalto.

Cláudio Magnavita é jornalista e ex-secretário est. de Turismo

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