Wilson Diniz: Crivella no segundo turno

Como adversários, o senador tem a Rede Globo, a Igreja Católica e os eleitores de renda mais alta da Zona Sul

Por O Dia

Rio - Estudos comprovam que, em época de recessão, a religião tem forte influência na escolha do voto. Fiéis buscam nos templos ajuda divina para conseguir vaga no mercado de trabalho — ainda mais num país onde 12 milhões de desempregados não veem horizonte de ter carteira assinada.Na Grande Depressão dos anos 30, 25% dos trabalhadores ficaram desempregados. Hoje, na faixa dos jovens de 18 a 24 anos, o quadro não é diferente.

Nos períodos de crise, surgem ‘líderes salvacionistas’ prometendo o Reino do Céu, emprego com carteira assinada e até a possibilidade da compra da casa própria. Nesse cenário, gente de baixa renda é presa fácil de pastores pentecostais. Na eleição para prefeito do Rio, o senador e ‘bispo’ Crivella, que desponta com 21% no primeiro turno, é o maior beneficiado na corrida sucessória com apoio indireto da Record e da Universal, que ganha fiéis nas periferias. O ponto de suporte de Crivella ocorreu em 2004, na eleição contra Cesar Maia, quando obteve 21% — e chegou a 22% quando foi eleito senador. Na eleição para governador em 2014, Crivella manteve seu ponto de suporte, passando para o segundo turno com 20%, derrotando Garotinho.

Contra Pezão, chegou a 44%, mas é duvidoso que na eleição para prefeito consiga este percentual. O senador vem publicando índices duvidosos. Garante ter atingido 33% de intenção de voto. Blefa ao publicar para o eleitorado cativo do segmento evangélico — divulgado na cadeia de comunicação da Universal — este percentual, talvez para cristalizar na cabeça de seus eleitores que será o próximo prefeito.

Nas eleições de outubro, está em jogo a manutenção do poder do PMDB com a máquina do partido e da prefeitura no desafio de viabilizar Pedro Paulo. Em segundo lugar nas pesquisas, o senador Romário pode ser a grande surpresa da eleição. Crivella não tem tempo de televisão como o do PMDB, mas possui votos cativos e a Record como suporte e ‘patrocinadora’. Como adversários, o senador tem a Rede Globo, a Igreja Católica e os eleitores de renda mais alta da Zona Sul. Pela tendência técnica dos índices, Crivella está no segundo turno, mas pode estar no limite de perder a eleição se não sair dos 40% dos votos.

Wilson Diniz é economista e analista político 

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