João Tancredo: Greve dos bancários - luz na histórica exploração

Nesse cenário de insegurança, uma afirmação: a paralisação é importante caminho para não só reivindicar melhorias para a categoria, mas também chamar atenção da sociedade para a patológica organização do setor

Por O Dia

Rio - A longa greve dos bancários, fechando mais de 13 mil agências em todo o país, reivindica desde reajuste salarial com ganho real até o fim das metas abusivas e demissões. Não há dúvidas de que a paralisação desses profissionais causa transtornos para toda a sociedade, mas se mostra cada vez mais necessária para lançar luz à dramática situação a que essa categoria é historicamente exposta.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e do INSS mostram que os trabalhadores do setor apresentam, proporcionalmente, o maior número de casos de doenças ocupacionais causadas por movimentos reincidentes e contínuos. Outro fator que contribui para o aparecimento dos sintomas é o estresse e condições desfavoráveis de trabalho. Porém, não são apenas físicas as marcas da excessiva cobrança do ramo financeiro. Os trabalhadores na área também apresentam frequentemente doenças psicológicas.

Na categoria, classificada entre as que mais adoecem no país, estão mais de 500 mil trabalhadores, sendo os transtornos mentais extremamente recorrentes. Tontura, pesadelos, falta de ar e outros sintomas que parecem isolados comprovadamente podem evoluir para quadro de depressão, transtorno bipolar e síndrome do pânico.

É inegável o assédio nesse ambiente, com metas abusivas e altíssimo nível de estresse. Aparentemente se convencionou um modelo cujos valores de humanidade, respeito e valorização da qualidade de vida são ignorados.

Não bastassem o salário que não acompanha a inflação e as danosas condições de trabalho, o desenvolvimento tecnológico vem causando aumento das demissões e, com isso, intensificando a preocupação dos bancários e seus familiares.

De acordo com a Febraban, o mercado é um dos mais avançados tecnologicamente. Assim, houve nos últimos anos um salto dos canais digitais, o que impactou no crescimento de agências e da mão de obra. Os canais de internet e mobile são parte do futuro, o que gera a esse profissional incerteza quanto a sua carreira.

Nesse cenário de insegurança, uma afirmação: a paralisação é importante caminho para não só reivindicar melhorias para a categoria, mas também chamar atenção da sociedade para a patológica organização do setor.

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