Rafael Azevedo: Um novo olhar sobre os cemitérios

No Brasil, a cultura de encarar os cemitérios como local de visitação e consumo de cultura, que transcende os velórios e funerais, cresce cada dia mais

Por O Dia

Rio - Em países como Argentina e França, os cemitérios Recoleta e Père Lachaise são endereços certos no roteiro de turistas do mundo inteiro. No Brasil, a cultura de encarar os cemitérios como local de visitação e consumo de cultura, que transcende os velórios e funerais, cresce cada dia mais.

Nos últimos quatro anos, o Cemitério da Penitência, no Caju, tem se empenhado em ampliar sua programação cultural que, hoje, inclui passeios guiados por historiador, exposições de artes, encenações teatrais temáticas, estátuas vivas e até apresentações musicais.

A iniciativa de tornar o cemitério um espaço turístico e cultural é um passo importante para lidarmos com a morte de forma mais natural. Desde criança, quando passava boa parte dos meus dias nos cemitérios, me acostumei a conviver com velórios e sepultamentos e a enxergar a beleza artística e arquitetônica desses espaços. Neles, há obras memoráveis de artistas de várias épocas como vitrais, esculturas, capelas, ossários. São peças que, muitas vezes, passam despercebidas em meio ao ritual do sepultamento.

É positivo mudar paradigmas! É preciso enxergar os cemitérios como um lugar de celebração. Um lugar para homenagear aqueles que construíram sua história de vida. E os rituais fúnebres, velórios, sepultamentos e cerimoniais de despedida são fundamentais para ajudar a assimilar o luto, que significa uma resposta ao amor.

Portanto, cemitérios são templos de exaltação à história, à arte e à memória. São museus a céu aberto, repletos de ensinamentos. Tudo isso leva a crer que há muita vida dentro de um cemitério!