Roberto Muylaert: Não existe dinheiro público

Temos o dever de garantir que cada centavo que recebermos de impostos seja bem aplicado pelo governo, e com sabedoria. Nossa parte, como dona de casa, é tomar conta da casa

Por O Dia

Rio - "Quanto do seu dinheiro deve ser gasto pelo governo e quanto você deve levar para casa e gastar com sua família? Não nos esqueçamos nunca dessa verdade fundamental, de que o Estado não gera dinheiro algum, a não ser aquele que as pessoas conseguem ganhar. Se o Estado quiser gastar mais, ele só vai conseguir isso pedindo seu dinheiro emprestado, ou cobrando mais impostos de você. Não vamos imaginar que alguém vá pagar essa conta, esse alguém é você mesmo. Não existe algo como dinheiro público, só existe dinheiro de quem paga impostos. A prosperidade não virá ao se criarem mais e mais gastos exuberantes em programas públicos de governo.

Ninguém ficará mais rico por retirar mais um talão de cheque do banco, e nenhuma nação ficou mais próspera ao taxar os contribuintes além de sua capacidade de pagar. Temos o dever de garantir que cada centavo que recebermos de impostos seja bem aplicado pelo governo, e com sabedoria. Nossa parte, como dona de casa, é tomar conta da casa. 

Proteger os recursos do pagador de impostos e proteger os serviços públicos são duas das grandes tarefas cujas demandas precisam ser reconciliadas. Como seria prazeroso e como seria popular dizer “gaste mais nisso”, “gaste mais naquilo”. É claro que cada um de nós tem suas causas favoritas, eu mesmo tenho as minhas. Mas alguém tem que somar os números. Todo negócio precisa fazer isso, toda dona de casa também, todo governo deveria fazê-lo e este vai fazer.’

Este foi o discurso de posse de Margareth Thatcher, primeira ministra do Reino Unido, de 1979 a 1990. A ‘Dama de Ferro’ bateu o recorde de permanência no cargo: 11 anos.
Ao assumir, encontrou a Grã-Bretanha mergulhada em greves contínuas, lideradas por diversos sindicatos, grave inflação e elevadas taxas de juros.

Enfrentou a situação com pulso firme e conseguiu colocar a economia e as finanças em dia.  Os militares argentinos tomaram à força as Ilhas Falkland, ou Malvinas, em 1982. Acreditavam que a Grã-Bretanha não teria disposição e dinheiro para mandar uma esquadra até bem perto da Antártica, a 13 mil km de distância, para recuperar aquela ilha remota. 

Estavam errados: ela ganhou a guerra naquele fim de mundo para a Grã-Bretanha.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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